"Bunda no chão", depressão, chifre... A única coisa que falta é entregarmos uma corda para o ouvinte se enforcar de tanta desgraça!
Hora Certa e Música: Qual o Futuro do Rádio?
Por Junior Aurélio Vieira de Oliveira - siga o meu Instagram: @jr_vieira.oficial!
Hoje, na minha coluna especial, quero propor uma reflexão a nós, radialistas. E falo com propriedade, porque me considero um radialista. Minha trajetória na comunicação começou pelo rádio, e tenho um amor imenso por essa profissão. Mas precisamos encarar a realidade e refletir: para onde estamos indo?
Quando iniciei no rádio, ele era pura emoção. As pessoas respiravam rádio! Surgiu nessa época a expressão "Deu no Rádio", um sinônimo de credibilidade. Existiam repórteres de rua, coberturas esportivas emocionantes, programas interativos e as famosas cartinhas que vinham de todos os cantos. As pessoas ligavam na rádio para mandar recados para seus familiares, o locutor se preparava antes de entrar no ar, chegando pelo menos 30 minutos antes do programa para organizar a programação. Éramos uma equipe de 18 profissionais, trabalhando juntos para oferecer um conteúdo envolvente e de qualidade.
E hoje? O que temos? Hora certa e música.
Na maioria das vezes, o locutor chega em cima da hora, sem planejamento, enchendo linguiça na programação. Sempre as mesmas piadinhas, os mesmos sorteios de capinha de celular, caixa de cerveja, kit churrasco... e os mesmos ouvintes enviando as mesmas mensagens. O rádio virou um ciclo repetitivo e sem identidade. No intervalo, o locutor fica no celular assistindo vídeos aleatórios, sem nenhuma preocupação em criar um conteúdo relevante. Enquanto isso, o vendedor se esforça nas ruas para conseguir anunciantes, vendendo pacotes publicitários por um preço cada vez mais baixo, porque o formato perdeu valor. E pior, em muitas rádios, é o próprio locutor que também tem que vender os espaços comerciais.
E a música? Antes, a programação musical era pensada para elevar o ambiente, criar uma atmosfera, embalar momentos. Hoje, o que ouvimos? "Bunda no chão", depressão, chifre... A única coisa que falta é entregarmos uma corda para o ouvinte se enforcar de tanta desgraça! Infelizmente, é isso que o rádio virou em muitos lugares.
Agora, sejamos honestos: qual é o futuro desse modelo?
O que ele entrega para o ouvinte? Qual o diferencial desse formato para que alguém escolha escutar rádio ao invés de usar uma Alexa ou o Spotify? Hoje, se uma pessoa quer música, previsão do tempo ou informação, basta pedir para um assistente virtual. Ele entrega tudo na hora, sem interrupção, sem enrolação.
E para o empresário? Por que ele deveria investir nesse modelo de rádio? Qual o retorno que ele tem anunciando em um programa que não gera engajamento nem tem identidade?
Se continuarmos nesse caminho, o destino do rádio será a irrelevância.
Mas ainda há tempo de mudar! Precisamos resgatar a emoção do rádio, criar conteúdo original, interagir de verdade com o público e oferecer algo que as mídias digitais não conseguem substituir. O rádio não pode ser apenas um robô tocando músicas e anunciando a hora! Precisamos voltar a fazer comunicação de verdade, com paixão, com impacto, com relevância. Aí sim, teremos um rádio vivo, forte e valioso tanto para os ouvintes quanto para os anunciantes.
Agora eu pergunto a vocês: qual o futuro do rádio? O que vocês acham que precisa mudar?
Fico no aguardo da sua opinião!