Indígenas
Festival de cultura e jogos indígenas do Rio Xingu
Pressione ESC para fechar
Festival de cultura e jogos indígenas do Rio Xingu
A cada passo eu ocupo um espaço inédito. O meu olhar apurado, com o luzeiro do inusitado, e essa implicância de não me contentar em saber. Eu preciso ver, mesmo que for preciso esperar. Quem chega a Altamira, o maior município do Brasil, é induzido a esperar por algo com significância pra impactar. Quando cheguei, no domingo, de passagem, logo fiquei sabendo que na quinta, começaria o festival de cultura e os jogos indígenas do Rio Xingu, o maior do Brasil. Fiquei pra ver. Poucos são capaz de perceber a grandiosidade que é conhecer 17 nações diferentes em um único dia. Memória viva da nossa história.
Assim como Altamira, o Brasil também é gigante. Temos 391 Etnias indígenas, que falam 295 línguas diferentes. 1 milhão e 700 mil pessoas que estão distribuídos por 4833 municípios. Um patrimônio genético e cultural, sem igual. Ter o privilégio de conhecer e poder assistir essa gente se expressar e competir, reunindo 17 etnias, com quase mil competidores e 3000 integrantes presentes. Uma onda colorida em seus movimentos, pinturas, sabores, cheiros, bebidas, comidas, música, esporte... e a intrigante alegria incontida espelhando um exemplo de vida forjado ao natural. Nunca vi nada igual.
Promovido pela Prefeitura de Altamira, por meio das Secretarias Municipais de Turismo e de Cultura, apoiado pelo governo do estado, o festival tem como objetivo fortalecer a preservação das tradições dos povos originários, incentivar a integração entre as diferentes etnias e aproximar a população da riqueza cultural indígena existente na região do Xingu. Se deu com grande participação popular, aproximadamente 15 mil pessoas, na abertura que aconteceu na noite de ontem, 23/07, com a embromação de mais de uma hora de espera hostil, por um prefeito que hoje repetiu o mesmo enredo. Tirando esse previsível incomodo, tudo foi grandioso. Uma semana em Altamira sem encontrar uma única pessoa com comportamento repreensivel.
Participam desta edição as etnias Xipaya, Arara da Volta Grande, Araweté, Arara do Laranjal, Arara da Cachoeira Seca, Assurini do Koatinemo, Xikrin do Bacajá, Kayapó Kararaô, Parakanã, Juruna, Gavião Kyikatêjê, Kayapó Mekragnotire, Terena e Assurini do Trocará. Hoje pela manhã aconteceu a grande final de futebol masculino e feminino, em um campo proporcional ao município. A equipe Gaviões Kyikatêjê sagrando-se campeão, nas duas modalidades.
É absolutamente inegável que só por isso já valeria uma viagem, imagina pra mim que já estava de passagem. A minha propensão a me deparar com o inusitado, contando com a sorte que nada mais é que sempre estar ligado no novo, diferente, aquilo que muita gente pode achar que é programa de índio pra mim é uma festa.
"Eu luto por justiça social, meu Brasil indígena, somos resistência, pela existência" dizia a letra de uma das músicas. E eu lá ouvindo e imaginando o que seria hoje desta terra que na época do descobrimento a população indígena era 15 vezes maior que hoje. É preciso pensar e se adaptar com o peso na consciência. O genocídio não faz sentido, mas aconteceu. Impossível remediar.