03/06/2024 20:17
Cerca de 20 mil pessoas reunidas em frente da Assembleia Legislativa exigem a retirada do projeto que privatiza as escolas estaduais
Professores(as) e funcionários(as) de escola da rede estadual do Paraná iniciaram nesta segunda-feira (3) uma greve por tempo indeterminado, contra o Programa Parceiro da Escola, projeto do governador Ratinho Jr. (PSD) que autoriza a privatização de quase todas as escolas da rede estadual de ensino.
O movimento foi deflagrado pela categoria em razão do envio do Projeto de Lei 345/2024, que institui o programa, para votação em regime de urgência na Assembleia Legislativa, e a ausência de resposta do governo e da Secretaria de Educação (Seed) a todos os pedidos de diálogo feitos pelo sindicato.
Durante esta manhã, caravanas de todas as regiões do estado, capital e região metropolitana lotaram a Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. Além dos educadores(as), o ato contou com a presença de estudantes, movimentos sociais, além de lideranças políticas que, por volta das 10h, saíram em marcha rumo ao Centro Cívico.
O contingente estimado em cerca de 20 mil pessoas lotou mais de cinco quadras da Avenida Marechal Deodoro. Durante o trajeto, gritaram palavras de ordem em defesa da educação pública, criticaram o projeto do governador Ratinho Jr. e pediram a suspensão da votação da matéria.
“Quero agradecer a todos e todas que estão aqui e aqueles e aquelas que estão espalhados por este estado inteiro em paralisação, em ato, na defesa da nossa escola. Não podemos permitir que o governador pegue o nosso dinheiro e dê para o empresário”, disse a presidenta da APP, Walkiria Mazeto.
No interior, as informações recebidas pela direção estadual da APP é de que a mobilização não é só dos educadores e dos estudantes e tem recebido grande apoio da comunidade. A adesão atingiu praticamente todas as escolas, com protestos sendo realizados em frente às unidades de ensino e mobilizações em todas as regiões do estado.
A presidenta da APP também desmentiu uma declaração do secretário de educação, Roni Miranda, que alegou à imprensa que não teria sido procurado pelo Sindicato. Ela reiterou que todos os pedidos feitos pela instituição foram ignorados pelo governo. Falou ainda das outras reivindicações do movimento, como o pagamento da data-base e o fim da obrigatoriedade de uso de plataformas digitais.
“As nossas escolas são boas sim, porque nós estamos lá todo dia trabalhando. O que dá resultado é o nosso trabalho lá dentro da sala de aula. O que dá resultado é o trabalho dos funcionários que estão atendendo os nossos estudantes. Por isso as nossas escolas são boas e por isso ele selecionou as melhores para vender. Ele só pegou o filé, aquelas em que a gente está lá empenhado, precisando de mais dinheiro para melhorar. Essa o empresário não quer. Por isso essa greve continua, na defesa de uma escola pública de qualidade”, completou Walkiria.
Com tramitação acelerada e sem debate com a sociedade, a votação do projeto está marcada para acontecer na tarde de hoje. O movimento pede que o texto seja retirado de pauta e haja a abertura imediata de uma mesa de negociação.
Por volta do meio-dia, a marcha chegou até a Praça Nossa Senhora de Salete. A multidão de professores(as), funcionários(as), estudantes e comunidade se concentram em frente à Assembleia Legislativa, onde pedem a abertura de uma mesa de negociação e que os deputados não coloquem o projeto em votação.