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POLICIAL

Megaoperação mira organização criminosa em três estados

Ação mobiliza mais de 500 policiais nesta quarta-feira, 14 de outubro

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Megaoperação mira organização criminosa em três estados
PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira, 14 de outubro, uma megaoperação contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR), com diligências no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.



A operação mobiliza mais de 500 policiais, com a participação de agentes de diversas unidades da PCPR e o apoio da Polícia Militar do Paraná, da Polícia Penal do Paraná, da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Cães de faro também auxiliam nas buscas.


Ao todo, são cumpridos 215 mandados judiciais, sendo 95 de prisão e 120 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário das contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.


No Paraná, os mandados são cumpridos em Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antonio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste. Em Santa Catarina, as diligências ocorrem em Abelardo Luz. Em São Paulo, a operação abrange São Carlos e Cotia.


A investigação da PCPR teve início em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, a partir da apuração de crimes violentos atribuídos à organização criminosa. Entre as situações investigadas estão tortura e cárcere privado de pessoas acusadas pelo grupo de traição. A organização também cobrava dívidas relacionadas ao tráfico de drogas por meio de ameaças e intimidação.


Durante as apurações, os policiais identificaram que o grupo transportava drogas entre cidades, utilizava depósitos para armazenar os entorpecentes e controlava pontos de venda à distância. As lideranças investigadas negociavam a compra e a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados.


O rastreamento da origem das ordens relacionadas aos crimes violentos levou os policiais a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Paraná. A análise dos dados obtidos nos aparelhos permitiu identificar uma organização com comando a partir do sistema prisional e atuação em dezenas de cidades dos três estados.


A delegada da PCPR Alini Simadon explicou que os dados revelaram a estrutura e o alcance das atividades investigadas.


“Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo”, afirmou.


Conforme a investigação, a organização mantinha uma estrutura de poder paralela dentro das unidades prisionais, com cargos e funções definidos. Um setor era responsável por fiscalizar as regras estabelecidas pelo grupo, julgar presos considerados infratores e aplicar castigos físicos.


Outros integrantes tinham funções específicas para esconder, recarregar e fazer circular celulares e roteadores entre as celas. A estrutura permitia manter contato permanente entre os presos e os integrantes que atuavam fora das penitenciárias.


No exterior das unidades, o grupo contava com uma rede de apoio formada por familiares e outros colaboradores. Segundo a PCPR, essas pessoas levavam entorpecentes escondidos no corpo durante as visitas aos presos.


A investigação também identificou como os valores obtidos com o tráfico de drogas eram movimentados. Segundo a delegada Alini Simadon, familiares dos presos realizavam transferências via PIX para contas bancárias abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos.


Os depósitos eram fracionados e os saques realizados rapidamente, procedimentos que, conforme a investigação, tinham o objetivo de dificultar o rastreamento dos recursos financeiros.


Além das contas bancárias, os policiais identificaram uma empresa de fachada utilizada para receber pagamentos relacionados a cargas de drogas. Toda essa movimentação era registrada em planilhas de controle financeiro.


A quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça permitirá o acesso às informações das contas utilizadas pelo grupo. Também foi autorizado o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento dos mandados.


A operação busca reunir provas sobre a atuação da organização criminosa e aprofundar a identificação dos envolvidos nos crimes investigados.

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