Operação mira esquema de loteamentos irregulares e cumpre prisões
Investigação aponta associação criminosa, lavagem de dinheiro, fraude processual e ameaças contra agentes públicos
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Investigação aponta associação criminosa, lavagem de dinheiro, fraude processual e ameaças contra agentes públicos
O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou na manhã desta terça-feira, 02 de junho, a segunda fase da Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de exploração de loteamentos clandestinos em Ibiporã/Paraná. A ação foi conduzida pelo Núcleo Regional de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e busca pessoal. As investigações apuram a atuação de uma associação criminosa suspeita de envolvimento com loteamentos irregulares, lavagem de capitais, falsidade ideológica e fraude processual.
Segundo o Ministério Público, um dos principais investigados seria responsável pela implantação e comercialização do loteamento clandestino Recanto Água Bonita, em área rural de Ibiporã. O empreendimento possuía mais de 68 mil metros quadrados e teria sido dividido irregularmente em 62 lotes comercializados sem licenciamento ambiental ou autorização urbanística.
Outro investigado é apontado como responsável pelo loteamento Recanto dos Sonhos, também em área rural do município. Conforme a apuração, a área de mais de 36 mil metros quadrados foi subdividida em 23 lotes igualmente comercializados sem as licenças exigidas.
As investigações apontam ainda que, mesmo após determinação judicial para paralisação das atividades e apresentação dos contratos firmados com compradores, integrantes do grupo teriam ocultado documentos físicos e eliminado arquivos digitais para dificultar a produção de provas. O MPPR sustenta que informações falsas foram apresentadas à Justiça para justificar o desaparecimento dos registros.
Outro ponto investigado envolve a continuidade da cobrança de parcelas dos compradores, mesmo após proibição judicial. Segundo o Ministério Público, os valores teriam sido direcionados para contas vinculadas a uma empresa constituída em nome de uma familiar de um dos investigados e também para a conta bancária de uma advogada apontada como integrante do esquema.
As apurações também revelaram supostas ameaças e atos de intimidação contra autoridades públicas envolvidas na fiscalização e investigação dos loteamentos. Conforme o MPPR, foram identificadas manifestações de violência contra agentes públicos, além de monitoramento de familiares de integrantes do sistema de Justiça.
Por determinação judicial, foram bloqueados valores mantidos em contas relacionadas ao loteamento Recanto Água Bonita, além de investimentos, aplicações financeiras e bens móveis e imóveis dos investigados. O montante bloqueado chega a R$ 3,5 milhões e, segundo o Ministério Público, busca garantir eventual ressarcimento dos prejuízos causados às famílias que adquiriram lotes no empreendimento.
As investigações seguem em andamento.
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