Dois paralelos que se cruzam para acentuar as divergências.
Oscar Niemeyer e Le Corbusier
Em Clervaux ou mesmo em Luxemburgo é preciso fazer uma boa discussão sobre habitação. Mas como fazer? Como abrir uma janela neste monolítico crítico? Claro que reflexão em Luxemburguês ou alemão é ilusão, mas vamos lá. Não custa tentar. Existe um desespero financeiro neste povo que só pensa em dinheiro. O capitalismo cega ou atrofia, feito miopia no cérebro.
O ser humano evoluiu e se destinguiu dos outros animais, não foi pelo racional, que veio depois, mas foi pela capacidade de inventar ou ficcionar e acreditar nestas invenções. É uma pena que nem todos vão acreditar no que eu vou falar ou escrever. A maioria não consegue ver o que eu consigo imaginar.
A minha envergadura moral é sinuosa, igual a arquitetura graciosa do Oscar, e tenta se adaptar ao relevo do conhecimento e a estética sinuosa das vontades e desejos. Já a minha ética é inflexível e completa. Mais segura que a reta única face pura na arquitetura de Le Corbusier, que desenvolveu a Unidade de Habitação ou 'La Cité Radieuse', (Foi um projeto desenvolvido por Le Corbusier e construído em Marselha, para solucionar a falta de moradia, no final da segunda guerra mundial) uma revolução e exemplo de solução para o melhor conviver. Uma forma de dar qualidade de convivência para a vizinhança, tendo a otimização como essência. A personalidade de Le Corbusier tem tudo a ver com Luxemburgo. O projeto 'Le Cité Radieuse', é perfeito para a filosofia de aldeia. Seria a solução para a habitação, sem cara de assentamento e também disfarça bem o desdém a essa gente que tem vontade de gueto.
Eu não falo com quem vai para o inferno, e quem vai para o céu não me dá atenção. Mas não consegui ficar indiferente à discussão, quando eu encontrei no balcão do castelo, os dois, buscando uma solução, para o futuro de Clervaux. Le Corbusier alegava que moradia aqui é uma calamidade e é de bom senso saber otimizar. É antiestético ser reto em uma cidade com tanta sinuosidade, argumentava o Oscar. Nesta terra vazia, sombria e fria, a discussão foi tão acalorada que eu caí na estrada, e fui investigar. Fui a Marselha ver como é a Unidade Habitacional ou 'Lá Cité Radieuse'.
Oscar Niemeyer, o maior brasileiro. Sujeito internacional, arquiteto da estética e filósofo do social. Projetou na sua utopia que a vida poderia melhorar. Genial e generoso nas palavras do próprio Le Corbusier, por ocasião do concurso que Oscar venceu e cedeu, na sede da ONU, em Nova York. O franco-suiço, Le Corbusier é considerado o Mayor arquiteto. Defensor da linha reta e da eficiência. Oscar era o oposto, de bom gosto, poetisava as curvas no seu traçado como quem desliza um braile pela sensualidade.
Assim como a linha curva sobre a linha reta, na arquitetura são duas posturas antagônicas, quase desafetas. Trazendo para o sentido plano do ser humano, não dá pra comparar. O Oscar era um sujeito compromissado com o social. Inteligente e irreverente valorizava a nossa gente, nossa mistura racial feito arquitetura, na desenvoltura das curvas da cintura. Ao contrário, Le Corbusier era um oportunista. Flertava com o franquismo, fascismo e nazismos e só não seria pior porque sonhava que a vitória do Hitler, acabava com a maçonaria. Olha só, quem diria.
O ângulo reto fere a estética. A curva suaviza, desliza sinuosa. A geografia de Clervaux, parece obra do Oscar. Na crença do Eduardo Galeano, Clervaux seria plano. Só não é porque no dia de criar, Deus preferiu brincar de Oscar. Outra dia o Oscar me dizia, sobre a alegria de ter morrido e não ressuscitar pra não precisar explicar: 'a mediocridade ativa continua uma merda' e exibida no Brasil Paralelo, criticando sua vida. Eu viajei pelo Brasil, a propósito de conhecer as obras do Oscar e poder afirmar sobre o viralatismo brasileiro e também mostrar o quanto Oscar é genial. Quem quiser me criticar é só entrar no Youtube e assistir 'A Vida é Um Sopro', sobre a vida do Oscar, ou os programas do brasil paralelo, para vomitar. Também estudar a biografia do Le Corbusier, e comparar. Oscar é... Melhor nem comparar. Fomos caminhar e aproveitar pra ver a exposição fotográfica da Samantha Wilbert, atrás da igreja, sobre Les Infants Du Corbusier. Essa exposição aqui? Agora? Não pude crer em tanta coincidência.