País Basco
Continuando a viagem, hoje eu quero falar de autenticidade, e pra isso vou começar pela cidade de Macapá. Não tinha planejado, mas fui quase obrigado, quando um nativo me deu duas passagens, para ir e voltar de Belém, e eu não voltei. Não me canso de falar, que Macapá, foi o melhor lugar que já morei ou acampei. Foi lá que eu me identifiquei com bodega e tapera. O dono do bar nos alugou uma casa abandonada que virou morada. Era um ponto de apoio para vários nômades com referencia e distinção. Era eu e o Miguel que pagava o aluguel com o cachê, de uma noite de apresentação, de música no bar do Lenon, o proprietário da casa abandonada. O que eu quero falar é que foi lá que eu conheci um Basco chamado Sebastian e um castelhano, que convidamos para ficar no acampamento. Esse Vasco era o Tal. Não aceitava nem ser chamado de espanhol. Foi com ele que eu aprendi sobre esse povo (Basco), que tinha uma língua diferenciada, falado por milênios e apenas a menos de 2 séculos que se desenvolveu também a escrita. Uma língua que não tem similaridade com outra qualquer e nem ideia da origem. Ficou conosco, uns 15 dias contando a história deste povo e as belezas da sua cidade natal, Bilbao, que eu convivi até aqui, com a vontade de vir conhecer.
Aconteceu, no último domingo, 29/12/24 chegamos a San Sebastian. Uma cidade maravilhosa, na região montanhosa da Espanha, mas no País Basco, de frente para Baia de Biscaia. Uma cidade vibrante com a tradição de bons restaurantes (a cidade tem o maior número de estrelas Michelin, por número de habitantes). Foi assim que eu conheci os Pintxos acompanhados de Txakoli e a tradição de jogar guardanapo no chão. Quem come por prazer e não por comer, precisa vir conhecer San Sebastian. Existe uma reverência a excelência da comida. Quem vir visitar vai encontrar gente alegre e lidas praias.
Seguimos pela costa do Mar do Norte até o vilarejo de Itzair, visitar um amigo, que tem muitas histórias e um Bar/café neste lugar. Lá eu vi o primeiro caminheiro do caminho de São Tiago de Compostela. Eu sou caminhante, mas não o bastante para esse percurso. Até porque eu não sou de sacrifício. Gosto da experiência mas não deste hambiente místico.
De lá, já no escurecer, seguimos pra conhecer a tão esperada Bilbao. Realmente Bilbao valeria a viagem por si só. Atravessada pelo Rio Nervion ou rio de Bilbao que desagua no mar Cantábrico. A cidade se estende pelo vale e pelas encostas altas. A cidade é charmosa, grande e tem um ar agradável. O metrô de grandes profundidades em algumas estações da parte alta da cidade, causa curiosidade. Muitos elevadores e escadas rolantes em vias públicas também viabilizam a vida dos pedestres.
O povo é super provinciano, bairrista e patriota. Todas as pessoas que perguntei torcem para o Atlético de Bilbao. Claro que um dia de visita não é o suficiente, mas certamente é uma das cidades que eu mais gostei de todas que eu já conheci.