Paraná inicia projeto inédito para mapear DNA do solo
Coordenado pelo Tecpar, estudo vai analisar 8,4 mil pontos e gerar mapa genético dos solos do Estado
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Coordenado pelo Tecpar, estudo vai analisar 8,4 mil pontos e gerar mapa genético dos solos do Estado
O Paraná deu início a um projeto inédito no Brasil voltado à agricultura regenerativa, com foco na análise do DNA do solo em escala estadual. Coordenada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), a iniciativa Solo Vivo Paraná prevê o mapeamento microbiológico dos solos como base para a criação de um Mapa Genético dos Solos Paranaenses.
O estudo utiliza a metagenômica, tecnologia avançada que permite analisar o DNA presente no solo, identificando a diversidade de microrganismos, como fungos, bactérias e vírus, além de sua relação com nutrientes e a saúde do ambiente. Na prática, a técnica funciona como um “raio-X” da qualidade biológica do solo, ampliando o conhecimento além das análises químicas tradicionais.
Ao todo, serão coletadas amostras em 8.400 pontos distribuídos pelo Estado, resultando em cerca de 700 análises metagenômicas completas. O material será processado em laboratório com uso de sequenciamento genético de nova geração e análise bioinformática, permitindo interpretar grandes volumes de dados e transformá-los em informações estratégicas.
Segundo o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, o projeto posiciona o Paraná como referência nacional na aplicação da biotecnologia à agricultura sustentável. Ele destaca que a iniciativa integra o Estado à agenda global de inovação e bioeconomia.
O trabalho conta com a parceria da empresa Go Genetic e terá apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). Os dados obtidos vão embasar uma publicação técnica que servirá de referência para políticas públicas e estratégias de manejo do solo.
Além de permitir o diagnóstico mais preciso das condições biológicas, o projeto deve contribuir para o uso mais eficiente de fertilizantes, recuperação de áreas degradadas e prevenção de doenças do solo, impactando diretamente a produtividade agrícola.
Os principais beneficiados serão pequenos e médios produtores, que representam 84% das propriedades rurais do Estado. Cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas de 13 municípios participam do projeto-piloto, contemplando diferentes culturas e realidades produtivas.
A iniciativa também está alinhada ao conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental, e conta com investimento de R$ 2 milhões do Fundo Paraná, voltado ao fomento científico.