Os colaboradores receberiam o salário em lavagem de carro, vale-supermercado e vale-farmácia? Como seriam pagos os boletos de luz e aluguel?
QUEM FAZ PERMUTA ESTÁ NO CAMINHO DA FALÊNCIA
Por Junior Aurélio Vieira de Oliveira
O problema da permuta está cada vez mais comum entre prestadores de serviços e empresários. Muitas empresas trocam publicidade por produtos e serviços, sem envolver dinheiro, tornando os acordos informais e sem compromisso. Isso leva à falta de profissionalismo e, pior, pode resultar na falência do negócio. Quem aceita permuta está fadado ao fracasso ou à falência financeira.
Nas emissoras de rádio, é comum ver empresários trocando publicidade por serviços. Postos de combustíveis, mercados, lojas e outros estabelecimentos fecham acordos para divulgar sua publicidade nas rádios sem desembolsar um centavo em dinheiro. Isso também ocorre frequentemente entre influenciadores ou influenciadoras, que trocam seu trabalho por produtos de lojas, perfumarias e outros comércios. Mas a pergunta é: até que ponto essa prática se normalizou? Ainda mais em cidades de pequeno porte, onde todo mundo conhece todo mundo, isso é mais comum do que você imagina.
O problema é que, quando alguém propõe uma permuta, é porque sabe que existe quem aceite. Vou compartilhar um caso recente para ilustrar. Recebi, dias atrás, uma mensagem de um empreendedor dizendo:
"Bom dia, tudo certo? Eu tenho o Lava-Car aqui, e queria ver contigo: teria como fazermos uma parceria para divulgar meu Lava-Car nas comunidades do Mídia Sudoeste e no portal Mídia Sudoeste, em troca de lavagem dos carros da Mídia Sudoeste?"
Obviamente, recusei e expliquei que o valor para anunciar no portal é a partir de R$ 850,00 mensais. A resposta dele foi:
"Então, obrigado. É que comecei a lavar aqui faz um mês e pouco, e ainda está bem fraco. Eu não teria condição de pagar R$ 850,00 agora, pois já pago o aluguel do local, mil e pouco. Se fosse mais tempo e eu tivesse mais clientela, talvez poderia fazer."
Então, propus algo diferente: passei o contato do setor de jornalismo para que fizessem um post bônus sobre o negócio dele, apenas para incentivá-lo e fortalecer o empreendimento. Mas, em troca, pedi algo simples: que ele, quando tivesse oportunidade, indicasse nosso trabalho a alguma empresa que precisasse de marketing digital e fortalecimento de marca. Ele aceitou e agradeceu. Essa é a condução correta. Você entende que eu agreguei valor, não desvalorizei o nosso trabalho e ainda criei um compromisso com esse empresário?
Agora, reflita: se sua emissora de rádio, portal ou qualquer outro negócio aceitasse isso, como seria? E se uma emissora de rádio aceitasse permuta para pagar suas contas, como funcionaria? Os colaboradores receberiam o salário em lavagem de carro, vale-supermercado e vale-farmácia? Como seriam pagos os boletos de luz e aluguel? Além do mais, quando não envolve dinheiro, a coisa não fica profissional e séria, tornando-se algo informal, sem compromisso de ambas as partes.
Permuta não sustenta empresa. Eu dou total prioridade aos meus parceiros comerciais, compro deles, mas pago em dinheiro. Eles, por sua vez, pagam os boletos dos nossos serviços prestados. Isso é gestão com responsabilidade.
A permuta é um caminho perigoso e pode levar à falência. Pense bem antes de aderir a essa prática. Mais uma vez, se você começar a fazer isso, vira um círculo vicioso difícil de eliminar da cultura da empresa.
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É ASSIM QUE PENSO.