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GERAL

Calçadas

Passarelas da democracia.

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Calçadas
Paulo Ademir Braun

Eu não sou daqui. Mas a minha vida passa por aqui. Ando em busca de encontrar a minha essência nômade, por caminhos que sempre tem Curitiba como ponto de chegada. Não sou curitibano, mas pouquíssimas pessoas conhecem, gostam e defendem Curitiba quanto eu. Eu conheço os 27 estados brasileiros e aproximadamente 27 países. Curitiba continua sendo o melhor lugar que eu conheço. O melhor clima, posição geográfica, altitude, infraestrutura e uma cultura que dá ao curitibano essa desenvoltura discreta.


Curitiba, a tão propalada cidade exemplo de mobilidade e seu marketing, levam a população a viver na ilusão que é possível andar sem prestar atenção ou pensar com os pés no chão. As calçadas. Terra arrasada ou terra de ninguém. Lugar que ninguém respeita. Essa faixa estreita, principal palco da democracia. Local fraternal, que até o andarilho, mendigo, indigente se sente em casa, literalmente. Calçada, terra sagrada, conquistada por gente de toda sorte. Na calçada, quanto mais pobre, mais forte.


De origem etimológica, por onde se caminha. A calçada é a encruzilhada para gente mesquinha. Gente que se acha diferenciada prefere a exclusividade da rua dentro de suas naves. A calçada é um lugar de todos, mas poucos conseguem passar ou se encontrar. O espaço mais público de qualquer cidade, deveria ser o lugar mais preservado e respeitado. A calçada deveria ser passarela de excelência, por onde desfile a convivência. As calçadas da cidade, são o retrato do grau de evolução da sua população.


O peti-pavé é um tipo de calça, pra inglês ver. É bonito e dá uma graça diferenciada as nossas calçadas, mas a mobilidade é complicada e manutenção, precisa ser permanente, pra não parecer pior que caminho de chão. De resto, Curitiba tem o pior plano diretor, pras calçadas. Não existe um padrão. Não existe manutenção e nem responsável. É um empurra para a prefeitura que devolve para o proprietário. O certo é que não é possível ver o quão Curitiba é linda, porque não é possível tirar o olho do chão.


Pelas calçadas de Curitiba, circula o maior contrassenso de civilidade ou cidade exemplo de mobilidade urbana. Desumana e desrespeitosa com a odisseia das mulheres curibanas que se aventuram a desfilar de salto alto, no paralelo do asfalto da av. Batel, por exemplo ou em qualquer outro lugar. O descaso com as calçadas de Curitiba, não dá pra aceitar. Curitiba é a pior que eu conheço, neste contexto. Parece um desrespeito proposital, uma afronta. Um buraco no currículo do arquiteto urbanista retratado no filme, que passa mudo, por esses absurdos. No centro de Curitiba o descaso é uma anomalia. Imagina se aventurar a caminhar pelas calçadas da periferia?


Amanhã, 19 de Maio, completa 51 anos da revolução que transformou a XV de novembro, a principal rua de Curitiba, em um grande calçadão. Magnífica passeou a ser chamada de rua das flores. Como as flores que murcham, já perdeu o seu charme.  Mas a minha decepção sempre foi a Av. Batel. Ao contrário da paralela Visconde de Guarapuava que tem duas pistas de mão única e ninguém caminha. A Av. Batel tem pista única de mão dupla e uma grande movimentação de pedestre na pior calçada. Na Av. Batel tem o shopping Pátio Batel, ícone do luxo e emblemático, num contraste metastático, do descaso das calçadas.


Será que não há um vereador que possa reencarnar a alma incompleta do poeta, do Jaime ou a genialidade do Oscar e projetar um plano padrão para as nossas calçadas abandonados? Essa é a prioridade desta cidade. Não vamos chegar onde queremos, se não temos por onde caminhar.

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