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16/12/2024 14:50

Clervaux: 80 anos da resistência



Clervaux é considerada a capital das Ardenas

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Clervaux: 80 anos da resistência.

No dia 10 de maio de 1940, os nazistas alemães invadiram Luxemburgo, sem que houvesse nenhuma resistência. 4 anos e 4 meses depois, no dia 10 de setembro de 1944, os aliados entram no Luxemburgo. Dia 11 de setembro de 1944 foi o dia que Luxemburgo foi libertado. Os aliados, principalmente o exército americano se posicionou em vários pontos de Luxemburgo. O 110° regimento de infantaria da 28° divisão dos Estados Unidos estava baseado em Clervaux.

Ninguém esperava que Hitler exigisse dos seus comandados, uma contraofensiva nas Ardenas, que escapou da inteligência e pegou os aliados de surpresa. O objetivo era tomar o Porto de Antuérpia, e dividir os aliados, para forçar um acordo com as forças do ocidente. A batalha das Ardenas começou no dia 16 de dezembro de 1944. 200 mil soldados alemães invadiram essa região, conhecida com Ardenas (floresta fechada). Na retaguarda mais 100 mil soldados e na sequência veio a Gestapo castigando quem demonstrasse antipatia aos nazistas.

Clervaux é sede da comuna e é a capital do cantão (província ou estado) de Clervaux, no extremo norte de Luxemburgo. Clervaux é considerado a capital das Ardenas. Castelo e hotel Claravallis eram o quartel general e estavam protegido por um tanque Sherman M4A3(76)E. O ataque alemão chegou a Clervaux as 9:30 do dia 17 de dezembro de 1944. Muito frio e muita neve dificultaram a ação do exército alemão. Os alemães avançaram sobre Clervaux com 6 canhões de assalto e cerca de 30 veículos blindados. A cidade estava protegida por apenas 5 tanques Sherman, 3 dos quais foram abatidos e dois canhões dos alemães. Os destroços bloquearam o acesso estreito da entrada da Cidade de Clervaux. O castelo e o centro da cidade foram duramente atacados a distância. O tanque Sherman que protegia o castelo foi muito certeiro nas ofensivas e mesmo tendo sido acertado por duas vezes, conseguiu impedir a invasão alemão, no povoado de Clervaux.

O tanque Sherman foi recuperado, na sua forma original, e está exposto no palco de shows do castelo. O castelo também foi reconstruído e hoje é sede da prefeitura (gemeng). Também abriga um museu de miniaturas dos castelos de Luxemburgo. Museu da batalha das Ardenas e o magnífico museu de fotografias, A Família do Homem (The Family of Man).

A batalha das Ardenas foi a batalha mais sangrenta para os Estados Unidos. Aproximadamente 90 mil baixas entre mortos e feridos, do exército dos Estados Unidos. Os alemães também tiveram baixas de aproximadamente 80 mil, somando os civis que perderam a vida, o total deve passar de 200 mil.

Sassel

Eu adquiri uma simpatia muito especial pela aldeia de Sassel. A aldeia da resistência. Os alemães nomearam um interventor que fazia vistas grossas aos trabalhos dos contrabandistas. A aldeia de Sassel era o local de refúgio e ponto de partida para quem não queria se alistar no exército alemão e também os alemães antinazistas. De Sassel eram levados para a Bélgica. Pessoas que desde a Bélgica ajudaram a formar grupos de resistência. Também os moradores de Sassel providenciaram abrigo, refúgio e alimentação, para os soldados americanos.

 A 1 km de Sassel está o mosteiro Cinqfontaine. Esse mosteiro foi tomado pelos nazistas e transformado em campo de concentração de judeus. Hoje tem um monumento em memória aos mortos em Auschwitz e em breve será transformado em um memorial de visitação sobre as lembranças dos horrores da guerra.

Na fronteira da Bélgica com Luxemburgo está o monumento em homenagem aos 4 irmãos Leonard. Filhos de um ex-combatente que tinha sequelas por enfrentar os alemães na primeira guerra, assim detestava os nazistas e os filhos ajudaram a formar um grupo de resistência. Foram capturados por um vizinho delator. Obrigados a cavar as próprias sepulturas. Foram todos mortos com um tiro na nuca.  Sepultados em cova tão rasa que em pouco tempo foram encontrados por ficar com a bota a vista.

Hoje 17 de dezembro de 2024, completa 80 anos da resistência de Clervaux. Me é curioso sentir essa sensação que parece permanecer no ar e na ambientação. Todas as aldeias da região tem seu memorial em homenagem as seus cidadãos que morreram nesta sangrenta batalha. Clervaux não seria diferente. É constante os monumentos por essa região que nos remetem a época e a reflexão. São exemplos os bunkers e o monumento do avião. Eu tenho a sensação que Clervaux sempre esteve no centro de tudo.




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