Disciplina: Respeito, Não Dureza
Dá uma olhada ao seu redor e me diz se você também não sente que ninguém mais erra hoje em dia. Se o café esfriou, a culpa é da garrafa. Se o relatório atrasou, o sistema caiu. Se o filho tirou nota baixa, o professor não explica direito. A gente vive o auge da era da desculpa e quase ninguém mais tem a coragem de levantar a mão e dizer que errou, que a falha foi sua e que vai resolver.
Essa mania de passar a mão na cabeça virou uma doença silenciosa. A gente confunde ser bonzinho com ser omisso e o resultado está aí: uma geração que não aguenta um não, que não cumpre um horário e que acha que o mundo tem que se adaptar ao humor dela. Mas a vida não funciona assim. O boleto não quer saber se o seu pneu furou, ele vence no dia.
E olha, isso serve para mim e para você que está lendo agora. Me coloco nesse aprendizado também, porque são pérolas que aprendo todos os dias e compartilho com você. Disciplina não é um troféu que a gente ganha e guarda na estante. É um treino diário contra a nossa própria vontade de dar uma desculpinha só por hoje.
Muita gente se engana achando que disciplina é sobre gritar ou humilhar. Isso é coisa de quem não tem autoridade e precisa do medo para ser ouvido. Disciplina de verdade é respeito pelo combinado. É dar a palavra e cumprir, custe o que custar. Pensa numa penca de bananas na sua fruteira. Ali tem uma lição que serve para a liderança, para a criação dos filhos e para a nossa carreira.
Tem a banana verde. Ela é dura e amarra a boca. Se você não der o calor da cobrança, se não exigir que ela amadureça, ela continua rígida e inútil. Tem gente que morre verde porque ninguém teve a coragem de cobrar o que ela podia entregar. Depois tem a banana no ponto. Firme e doce. Passou pelo sol, pela chuva e amadureceu do jeito certo. Isso é o que a disciplina faz com a gente: nos coloca no ponto. É o profissional que chega no horário, que cumpre o que prometeu e que assume quando erra. É alguém em quem você confia de olhos fechados.
Mas o perigo mora na banana podre. Sabe como uma banana apodrece rápido? Quando ela passa do ponto e ninguém faz nada. A permissividade é exatamente isso. É o líder ou o pai que vê o erro e fica quieto para não ser o chato. Deixa passar uma, deixa passar duas e o que era para ser um talento vira lodo. O excesso de compreensão sem o rigor da correção faz a gente apodrecer antes de servir para alguma coisa.
O caminho não é o chicote do opressor, mas também não é o silêncio do omisso que assiste a banana apodrecer na mesa só para evitar um conflito. O caminho é ser justo. É ter a coragem de ser impopular hoje para ser respeitado amanhã. É cobrar sem humilhar, mas nunca deixar de exigir. Se eu paro de te exigir, é porque eu desisti de você. É simples assim.
A pergunta é curta e grossa: você está ajudando as pessoas ao seu redor e a si mesmo a ficarem no ponto, ou está sendo aquele omisso que prefere o conforto de não ter que ser firme? Disciplina não é dureza. Disciplina é a maior prova de respeito que existe. Quem aprende isso, amadurece e cresce. Quem foge disso, vira apenas mais uma desculpa no meio da multidão.
É assim que eu penso
Por Junior Aurélio Vieira de Oliveira
Comunicador, Escritor e Palestrante
