Em meio à incerteza global, Brasil avança no Atlântico e fortalece soberania
Missão da Marinha com o navio de pesquisa “Vital de Oliveira” amplia o mapeamento da Plataforma Continental e reforça a presença estratégica brasileira no oceano
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Missão da Marinha com o navio de pesquisa “Vital de Oliveira” amplia o mapeamento da Plataforma Continental e reforça a presença estratégica brasileira no oceano
Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e instabilidade nas rotas comerciais, o Brasil intensifica as ações para conhecer e consolidar sua presença no Atlântico Sul. Uma nova comissão do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), conduzida pela Marinha do Brasil (MB), reforça o trabalho científico e estratégico sobre o território marítimo nacional.
A missão é realizada pelo Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, que iniciou as atividades em 2 de fevereiro. Durante a comissão, a embarcação percorreu mais de 1.389 milhas náuticas, o equivalente a cerca de 2.572 quilômetros, em áreas das regiões Sudeste e Nordeste do país, coletando informações fundamentais sobre o relevo e a estrutura do fundo do mar.
Os pesquisadores utilizam equipamentos de alta precisão, como o ecobatímetro multifeixe, além de medições do campo gravimétrico terrestre e levantamentos de sísmica rasa com perfilador de subfundo. Os dados obtidos ampliam o conhecimento sobre a geografia submarina brasileira e fortalecem juridicamente os pedidos de ampliação da Plataforma Continental.
Esse trabalho é fundamental para consolidar a posição do país em organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), que reconheceu recentemente a ampliação da área marítima brasileira em cerca de 360 mil quilômetros quadrados na chamada Margem Equatorial.
A região se estende da foz do Rio Oiapoque, no Amapá, até o litoral norte do Rio Grande do Norte, abrangendo importantes bacias sedimentares como Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. Com isso, o Brasil passa a ter direito de soberania sobre os recursos naturais existentes no leito e no subleito marinho dessa área.
Na prática, a ampliação garante acesso a riquezas estratégicas como petróleo, gás natural e nódulos polimetálicos, em uma área comparável ao território da Alemanha.
O processo ocorre sob coordenação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), responsável por organizar as submissões brasileiras em três regiões: Sul, Margem Equatorial e Margem Oriental-Meridional. A proposta da Região Sul foi apresentada em 2015 e aprovada integralmente em 2019. Já a submissão da Margem Equatorial, enviada em 2017, teve análise concluída em 2025 pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), em Nova Iorque.
Mar estratégico para a economia
O controle e a segurança das rotas marítimas impactam diretamente a economia global. Gargalos logísticos e disputas em áreas estratégicas, como o Estreito de Hormuz, evidenciam que o acesso ao mar e seu domínio são fatores decisivos para a soberania das nações.
No Brasil, cerca de 95% do comércio exterior depende do transporte marítimo. Além disso, o fundo do mar concentra recursos energéticos e minerais essenciais para o desenvolvimento econômico.
Dentro desse contexto, ganha destaque a chamada Amazônia Azul, área marítima brasileira com aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados que reúne o Mar Territorial, a Zona Econômica Exclusiva e a extensão da Plataforma Continental além das 200 milhas náuticas.
O mapeamento detalhado dessas regiões também contribui para a atualização das cartas náuticas e para a identificação de possíveis riscos à navegação. Cada levantamento realizado aumenta a segurança do tráfego marítimo e fortalece a proteção das riquezas existentes no oceano.
Novo mapa do Brasil
Desde 2019, a Amazônia Azul passou a integrar oficialmente o mapa do Brasil. O trabalho envolveu a Marinha do Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Educação.
A iniciativa busca ampliar a conscientização da população sobre a dimensão marítima do país e a importância estratégica do oceano para o desenvolvimento nacional.
Mais do que um avanço científico, o levantamento da Plataforma Continental representa um passo decisivo para fortalecer a soberania brasileira, ampliar seu território marítimo e garantir acesso a riquezas que permanecem sob o fundo do mar.
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