FAO alerta para possível alta nos preços dos alimentos
Fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar custos de produção e comércio mundial nos próximos meses
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Fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar custos de produção e comércio mundial nos próximos meses
O fechamento do Estreito de Ormuz acendeu um alerta internacional sobre os impactos que a medida pode causar na produção agropecuária e nos preços dos alimentos. A avaliação é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê reflexos significativos para o setor nos próximos meses.
Segundo o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a interrupção de uma das principais rotas estratégicas para o transporte global de petróleo e insumos pode desencadear uma crise capaz de elevar os custos de produção e, consequentemente, o preço dos alimentos em diversas regiões do mundo.
A preocupação está relacionada principalmente ao aumento dos custos de energia e fertilizantes, fatores fundamentais para a produção agrícola. De acordo com a FAO, o tempo para adoção de medidas preventivas está se tornando cada vez mais curto, exigindo planejamento por parte dos governos e instituições.
Os primeiros reflexos já vêm sendo observados no mercado internacional. O monitoramento da agência aponta aumento nos preços de diversos produtos, influenciado pelos custos energéticos mais elevados e pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
No setor de carnes, as exportações brasileiras de carne bovina contribuíram para a alta dos preços globais devido à oferta limitada de rebanhos. Ao mesmo tempo, a forte demanda de países africanos por carne de frango produzida no Brasil ajudou a compensar a redução das vendas para o Oriente Médio, mas também pressionou os preços da proteína no mercado internacional.
Além das questões geopolíticas, a FAO destaca que os efeitos climáticos previstos para os próximos meses podem ampliar os desafios. A expectativa é de que o fenômeno El Niño influencie o clima global, provocando períodos de seca em algumas regiões e chuvas intensas em outras, afetando diretamente a produção agropecuária.
Como alternativas para reduzir os impactos imediatos, especialistas apontam a utilização de rotas comerciais alternativas, embora com capacidade limitada. Também são recomendadas medidas para garantir o fluxo do comércio internacional, evitar restrições às exportações e criar reservas estratégicas que ajudem a absorver o aumento dos custos de transporte.
Para o médio e longo prazo, a FAO defende investimentos em energias renováveis, tecnologias agrícolas de precisão e práticas sustentáveis capazes de tornar os sistemas produtivos mais resilientes diante de futuras crises globais.