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GERAL

Hospital do Paraná completa 100 anos de história e transformação

Unidade localizada em Piraquara atende pacientes de 56 municípios e passa por obras de modernização com previsão de conclusão em 2027

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Hospital do Paraná completa 100 anos de história e transformação
SESA

O Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, completa 100 anos nesta terça-feira, 20 de outubro. Fundada em 1926, a instituição passou por transformações nas políticas de saúde pública e atualmente é referência no atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Mantido pelo Governo do Paraná e administrado pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde (Funeas), o hospital atende pacientes de 56 municípios paranaenses. A unidade oferece serviços nas áreas de dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e tratamento de feridas complexas, além de desenvolver atividades de ensino e formação médica.


Desde 2021, o hospital contabiliza mais de 673 mil atendimentos pelo SUS. O número anual passou de 25.889, em 2021, para 167.051, em 2025, um crescimento de 545%. Entre janeiro e setembro de 2026, foram registrados outros 118.924 atendimentos. Atualmente, a unidade realiza cerca de 500 atendimentos por dia.


Investimentos ampliam estrutura


O hospital passa por um processo de modernização e ampliação, com investimento estadual de R$ 39,5 milhões. A previsão é de que as obras sejam concluídas em 2027.


O projeto prevê a implantação de um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), ampliando de 28 para 54 o número de consultórios. Também estão previstos um centro cirúrgico com duas salas, 12 leitos, centro de diagnóstico e serviço de oxigenoterapia hiperbárica, utilizado como recurso complementar no tratamento de feridas complexas e crônicas.


De hospital-colônia a referência no SUS


Inaugurada em 20 de outubro de 1926 com o nome de Hospital São Roque, a instituição foi criada para receber pessoas com hanseníase. Na primeira metade do século XX, as políticas sanitárias brasileiras adotavam o isolamento compulsório de pacientes diagnosticados com a doença.


O complexo chegou a abrigar aproximadamente 1,3 mil pacientes simultaneamente e funcionava como uma pequena cidade, com residências, igreja, cinema, correio, cemitério e até uma cadeia.


Para muitos pacientes, o hospital se tornou o local onde passaram grande parte da vida, afastados do convívio familiar e social. Com os avanços científicos e as mudanças nas políticas de enfrentamento da hanseníase, o modelo de isolamento foi sendo superado.


Em 1983, a unidade passou à administração da Secretaria de Estado da Saúde e recebeu o nome de Hospital de Dermatologia São Roque. Em 1990, passou a se chamar Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, consolidando uma nova fase voltada à assistência especializada.


Atendimento especializado


Além do acompanhamento de pacientes com hanseníase, o hospital atende pessoas com psoríase, eczema, doenças vasculares, lesões de pele e feridas de difícil cicatrização.


Os serviços incluem consultas médicas, estomaterapia, curativos especiais, fototerapia, procedimentos dermatológicos e atendimento multiprofissional nas áreas de fisioterapia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.


A unidade também promove mutirões para o diagnóstico de lesões suspeitas de câncer de pele e para o atendimento de pacientes com problemas vasculares, especialmente nos membros inferiores.


Formação médica e preservação histórica


Em 2023, o hospital implantou o Programa de Residência Médica em Dermatologia, autorizado pelo Ministério da Educação (MEC). A formação da primeira turma está prevista para 2026. A instituição também promove simpósios e capacitações nas áreas de hanseníase, dermatologia e tratamento de feridas.


Parte da história do complexo é preservada pelo Museu São Roque (Musar), inaugurado em março de 2020 em um dos prédios históricos da unidade. O espaço reúne documentos, objetos e registros sobre a hanseníase, as antigas políticas de isolamento e a evolução do tratamento da doença.


Programação do centenário


As comemorações começaram em 18 de outubro, com uma missa promovida pelas Irmãs Franciscanas de São José, congregação que participou da história da instituição desde a fundação.


Na sexta-feira, 23 de outubro, a programação será voltada a funcionários e pacientes, com apresentação do Coral Paraná, premiação dos vencedores de um concurso interno de fotografias, plantio simbólico de um ipê e exposição de desenhos produzidos em parceria com o grupo Urban Sketchers Curitiba (USK). As atividades ocorrerão no antigo refeitório da unidade, das 13h30 às 17h.


Nos dias 28 e 29 de outubro, o hospital sediará o 2º Encontro de Hospitais Parceiros do Instituto Alliance Contra Hanseníase, reunindo representantes de instituições de diferentes regiões do Brasil.


Entre os participantes estão o Instituto Lauro de Souza Lima, de Bauru (SP), o Hospital São Julião, de Campo Grande (MS), e a Fundação Hospitalar Alfredo da Mata, de Manaus (AM). As atividades técnicas serão realizadas no auditório do Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI).


Ao completar um século, o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná mantém a atuação no atendimento especializado pelo SUS, enquanto amplia sua estrutura e preserva a memória de um período marcante da história da saúde pública brasileira.

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