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GERAL

Informações atribuídas à Polícia Federal apontam mensagens de Vorcaro a número ligado a Moraes

Documentos da investigação reúnem contratos milionários, propostas envolvendo aeronaves, viagens e mensagens atribuídas ao então banqueiro antes de sua prisão

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Informações atribuídas à Polícia Federal apontam mensagens de Vorcaro a número ligado a Moraes
Mídia Sudoeste/Imagem gerada por IA

Informações divulgadas e atribuídas à Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master apontam uma série de relações financeiras, encontros, viagens e comunicações envolvendo Daniel Vorcaro, então ligado ao banco, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e integrantes de sua família.


O material reúne registros que vão desde 2024, quando teria sido firmado um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, até novembro de 2025, quando mensagens atribuídas a Vorcaro teriam sido enviadas para um número salvo em seu aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.


Também aparecem na investigação uma proposta de pagamento de até R$ 50 milhões envolvendo cotas de aeronaves, uma viagem a Londres relacionada a um evento jurídico e uma recepção de luxo na região de Campos do Jordão.


Os fatos abaixo são apresentados conforme informações divulgadas e atribuídas à investigação da Polícia Federal. A existência dos registros, por si só, não permite concluir eventual ilegalidade, benefício indevido ou participação de Alexandre de Moraes ou de seus familiares em qualquer irregularidade.


Janeiro de 2024: contrato de R$ 3 milhões mensais


Em 11 de janeiro de 2024, segundo a investigação, Viviane Barci de Moraes teria encaminhado a Daniel Vorcaro uma primeira minuta de contrato envolvendo o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.


O acordo previa, segundo o material divulgado, o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos ao escritório. Com os tributos previstos no documento, o valor bruto de cada parcela chegaria a R$ 3.646.529,77.


A PF teria identificado o nome “Ministro Alexandre de Moraes” nos metadados de duas versões da minuta.


Na primeira versão, o arquivo teria registrado como última modificação, em 11 de janeiro, um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.


Em 17 de janeiro, Viviane teria encaminhado a Vorcaro uma nova versão da minuta. Segundo a análise dos metadados atribuída à PF, esse arquivo também apresentava como última modificação o usuário “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro.


Os metadados são registros técnicos associados aos arquivos digitais. Isoladamente, eles não permitem determinar quem estava fisicamente utilizando o computador no momento da alteração nem quais modificações foram realizadas.


O contrato teria sido assinado em 23 de janeiro de 2024 por Daniel Vorcaro e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.


Fevereiro de 2024: início dos pagamentos


Entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025, a investigação teria localizado quatro comprovantes de transferências para o escritório de Viviane.


As parcelas identificadas seriam de R$ 3.422.268,14, após descontos específicos, totalizando aproximadamente R$ 13,6 milhões.


Em uma conversa de março de 2024, segundo o material divulgado, Vorcaro teria demonstrado preocupação com a regularidade dos pagamentos e classificado um dos repasses como “o pagamento mais importante”, afirmando que não poderia “atrasar um dia”.


Março e abril de 2024: evento em Londres


Outro episódio analisado pela PF envolve a participação de Alexandre de Moraes no I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024.


Segundo o material atribuído à investigação, as despesas relacionadas à viagem seriam custeadas pela organização do evento.


Em 28 de março de 2024, uma mensagem que teria sido enviada por Alexandre de Moraes ao ministro Gilmar Mendes convidava o colega para participar do fórum:


“A estadia poderá ser até 28/4. É organizado pelo CONJUR, Correio Braziliense e Banco Master. Topa?”


Outros diálogos analisados pelos investigadores também teriam indicado participação de Moraes em discussões relacionadas a convidados, vetos e programação do evento.


A organização teria disponibilizado veículos Mercedes-Benz S-Class com motoristas para um grupo restrito de participantes considerados VIPs. Entre os nomes citados estavam Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli.


Maio de 2025: proposta envolvendo aeronaves


Em 16 de maio de 2025, a investigação teria identificado conversas relacionadas a um segundo contrato de honorários envolvendo o escritório da esposa de Moraes.


O documento previa, segundo a PF, um “limite máximo remuneratório” de R$ 50 milhões “a título de pró-labore” durante os 36 meses de contrato.


O pagamento poderia ser realizado por transferência bancária da Viking Participações, empresa que tem Vorcaro como sócio, ou mediante “dação em pagamento”, modalidade que permitiria a entrega de bens imóveis, móveis ou serviços.


Em uma das propostas analisadas, R$ 40 milhões seriam quitados mediante a entrega de cotas de duas aeronaves, enquanto os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas à utilização desses bens.


Segundo trecho atribuído ao relatório da PF, uma das empresas envolvidas seria proprietária de uma aeronave Legacy 650, de prefixo PP-NLR. A outra estaria em processo de aquisição de um helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters.


Em uma conversa reproduzida pela investigação, Marcos da Mata, sócio de Vorcaro, teria perguntado a Viviane:


“Estão gostando da utilização das cotas de vocês?”


Ainda conforme o conteúdo divulgado, Viviane teria respondido:


“Sim, estamos gostando muito”.


Após a divulgação do relatório, o escritório Barci de Moraes declarou em nota que não assinou um segundo contrato com empresas de Daniel Vorcaro e que não aceitou os termos da negociação. O escritório afirmou também que, por esse motivo, não recebeu cotas de aeronaves ou outros ativos previstos na proposta.


Abril de 2025: evento que não aconteceu


A investigação também menciona uma segunda edição do fórum jurídico, prevista para 2025, mas que não chegou a ser realizada.


Segundo o material divulgado, em abril daquele ano a funcionária de marketing Ana Matos teria enviado uma mensagem a Vorcaro informando que o assessor de Alexandre de Moraes havia ligado para tratar da “emissão do aéreo dele”.


Na sequência, Vorcaro teria respondido:


“Pode fazer”.


O registro, por si só, não permite concluir se a passagem chegou a ser efetivamente emitida, quem arcaria com eventual despesa ou se a viagem ocorreu.


Dezembro de 2025: recepção de luxo


Outro episódio descrito no material da PF envolve uma recepção no Six Senses Botanique, hotel localizado na região de Campos do Jordão, em São Paulo.


Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado uma programação para uma comitiva relacionada, nas mensagens analisadas, a uma pessoa identificada como “Alex”.


O planejamento teria incluído almoço, contratação de um chef particular identificado como Zé Maria, passeios a cavalo e assistência de funcionários ligados a Vorcaro.


A programação teria sido planejada para nove convidados e quatro seguranças.


Em uma mensagem enviada a um contato salvo como Thatiane Prime, Vorcaro teria informado que ofereceria um almoço no dia 30 e escrito:


“Tem que ser experiência completa. Convidados ultra vips”.


Novembro de 2025: mensagens atribuídas a Vorcaro


Já em novembro de 2025, o material atribuído à Polícia Federal passa a registrar uma série de mensagens que teriam sido enviadas por Daniel Vorcaro para um número de telefone salvo em seu aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.


Segundo as informações divulgadas, ao menos 28 mensagens teriam sido enviadas entre 12 e 17 de novembro.


O material analisado registraria apenas as mensagens supostamente enviadas por Vorcaro, não permitindo visualizar eventuais respostas recebidas pelo número.


12 de novembro


Nesta data, Vorcaro teria iniciado uma série de contatos relacionados à possibilidade de encontro:


“Não quero atrapalhar programa família! Podemos falar outro dia!”


Depois, teria escrito:


“Eu iria Brasilia somente pra te ver e atualizar de tudo. Muita coisa acontecendo”


Na sequência:


“Mas pode ser sexta em sp de repente”


Após uma suposta resposta recebida, teria enviado:


“Loucura, faz bem. Podemos sim! Marcado. La em casa ou prefere ficar na sua?”


14 de novembro


Na madrugada, por volta de 1h39, teria enviado:


“Opa tudo bem? Marcado amanha la em casa as 14 ou prefere deixar pra semana que vem?”


Às 13h03, teria encaminhado:


“Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado.”


Na mesma noite, por volta das 21h17, teria enviado uma mensagem de agradecimento:


“Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você. Toda minha familia, funcionarios, parceiros amigos que dependem de nos tem uma divida de vida contigo e com sua familia. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser”


15 de novembro


Na noite do dia 15, às 21h21, Vorcaro teria escrito:


“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo ta sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda ja tenho que estar fora?”


Um minuto depois, teria enviado:


“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasilia?”


Cerca de uma hora depois, teria escrito:


“Muita sacanagem isso. Esses caras devem estar sabendo que estou resolvendo tudo essa semana e querem acabar com tudo antes.”


16 de novembro


Na véspera da prisão, Vorcaro teria voltado a solicitar um encontro:


“Podemos nos ver amanha rapidamente algum horario?”


Depois:


“Vou na parte da tarde entao. Veja um horario que não vai te atrapalhar muito. Pode ser bem rapido”


E, posteriormente:


“AS 14 entao. Passo na sua casa ou prefere na minha?”


Ainda segundo o conteúdo divulgado, as mensagens seguintes tratariam da situação envolvendo o Banco Master, negociações com investidores e uma possível intervenção.


Vorcaro teria escrito:


“Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vao destruir todo o negocio e sem volta. De repente ate melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus”


Em outra mensagem:


“Ele quem trouxe noticia? Nao da pra entender esse cara. Eu coloquei dinheiro, arrumei os investidores todos. Essa semana resolvo o problema todo. Nao faz qualquer sentido isso”


Na sequência, teria mencionado negociações com investidores:


“Na terca e quarta vamos assinar com todos investidores. Mobilizei gente pesada. Te mostrei ate carta da familia real de abu dhabi. Loucura essa postura na ultima hora no momento que vou resolver tudo”


Depois, teria questionado:


“Ele ta sabendo das soluções? E quer antecipar pra nao deixar acontecer? Qual sua leitura? O que ta havendo? E com Andrei da pra segurar?”


Também teria perguntado:


“E o Galipolo quem esta pressionando isso pra fazer intervenção?”


Em outra mensagem:


“Tentar que o galipolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo. Nao podem estourar uma bomba atomica na hora da solucao, nao faz sentido pra ninguem. Nem pra ele, nem pro governo, pra economia e nem para o Brasil.”


Por volta das 16h39, segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria informado que estava em um voo e que seguiria para determinado local após o pouso.


Às 19h56, teria questionado a possibilidade de adiar uma eventual ação:


“o Andrei conseguir atrasar para poutra [outra] semana, pois teria feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”


A última mensagem atribuída a Vorcaro naquele dia teria sido uma pergunta sobre a possibilidade de determinada situação ocorrer na manhã seguinte.


17 de novembro: horas antes da prisão


No dia 17, outras mensagens teriam sido encaminhadas ao número salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.


Segundo o conteúdo divulgado, Vorcaro teria relatado esforços para avançar nas negociações com investidores e evitar uma possível liquidação do Banco Master.


Em uma das mensagens, teria afirmado:


“Tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte”


Na sequência, teria mencionado informações que supostamente teria recebido sobre movimentações relacionadas ao caso e possíveis vazamentos.


Durante a noite, teria questionado:


“Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”


Pouco depois, diante da ausência de resposta, teria insistido:


“Alguma novidade?”


A última mensagem atribuída a Vorcaro teria sido enviada às 23h47:


“Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação. Acho que pode inibir. Amanha comecam as batidas do esteves. To indo assinar com os investidores de fora e estou online”


Horas depois dessas mensagens, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, quando, segundo informações divulgadas à época, tentava deixar o Brasil em um avião particular com destino a Malta, na Europa.


A sequência cronológica apresentada no material divulgado coloca as mensagens atribuídas a Vorcaro nos dias imediatamente anteriores à prisão.


As informações apresentadas nesta matéria têm como base documentos e conteúdos divulgados e atribuídos à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre o Banco Master.


Os registros citados incluem contratos, transferências, propostas envolvendo aeronaves, comunicações sobre eventos e viagens e mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.


A identificação de um número de telefone no aparelho de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA” não permite, isoladamente, confirmar a identidade do proprietário ou usuário do número, nem afirmar que todas as mensagens foram efetivamente recebidas ou respondidas pela pessoa a quem o contato faria referência.


Da mesma forma, a presença do nome “Ministro Alexandre de Moraes” nos metadados de arquivos não permite, isoladamente, determinar quem estava fisicamente utilizando o equipamento ou quais alterações foram realizadas.


As informações sobre contratos e propostas também devem ser diferenciadas de eventual efetivação dos acordos. No caso do segundo contrato de até R$ 50 milhões, por exemplo, o escritório Barci de Moraes afirmou que não assinou o contrato, não aceitou a proposta e não recebeu as cotas de aeronaves ou outros ativos mencionados.


Portanto, os elementos descritos devem ser entendidos como informações constantes de documentos e conteúdos atribuídos à investigação da Polícia Federal, sem que sua existência, isoladamente, estabeleça eventual irregularidade ou responsabilidade das pessoas mencionadas.

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