O PODER É COMO O SOL
Por Junior Aurélio Vieira de Oliveira
A LIÇÃO DE VIDA: O poder é um aluguel que você paga todo dia com a sua ética; se atrasar o pagamento, o despejo é certo. No mundo real, quem vive de encostar o ombro em figurão para se sentir importante é o primeiro a ser atropelado quando a aliança muda. Não se iluda: o "amigo" poderoso de hoje é o mesmo que vai fingir que não te conhece amanhã para salvar a própria pele. Quem não tem raiz própria tomba com qualquer vento.
Seja bem-vindo ou bem-vinda à minha crônica de hoje. Hoje é sábado, 07 de março de 2026, 07h47 da manhã. Leia até o fim e me conte se você concorda comigo ou não. E se quiser criticar, pode criticar. Eu quero te provocar, é isso mesmo, mexer com você. Duvido você ler até o fim deste texto.
O poder se parece muito com o sol. Se você chega perto demais, ele queima. Se você se afasta demais, ele deixa você no frio. O Brasil vive mais um daqueles momentos em que o tema poder volta ao centro da discussão pública com o caso do empresário Daniel Vorcaro. A Polícia Federal está em cima, sob suspeita de corrupção, fraude e aquele monte de mensagens de celular com gente do alto escalão. Mas, para além do noticiário, isso levanta uma reflexão que serve para o dono da padaria, para o gerente da multinacional e para o político da esquina.
Existe um risco silencioso quando alguém começa a circular demais nos ambientes de influência. A pessoa entra em salas onde decisões gigantescas são tomadas e, de repente, brota aquela tentação perigosa: a sensação de estar acima do bem e do mal. É o sujeito que começa a achar que o CPF dele vale mais que o dos outros só porque ele toma café com quem manda. A história mostra que, quando alguém começa a acreditar nessa blindagem, o tombo já está contratado. Por isso o tombo já está certo, é questão de tempo.
A regra é seca. Quem se aproxima demais do poder começa a confundir intimidade com proteção. Mas o poder não protege ninguém. O poder é igual ao tempo: ele muda. O governo vira, a diretoria cai, a aliança de hoje é a traição de amanhã. E quem achava que estava protegido pelo guarda-chuva de alguém acaba ficando exposto no sereno.
Isso não é teoria, é fato. Olhe a vida real de Napoleão Bonaparte. O cara não era ninguém; era um estrangeiro na França que subiu na vida porque era o melhor no que fazia. Mas o poder é um bicho traiçoeiro. Em 1804, ele deu o maior sinal de que tinha perdido o juízo: na hora de ser coroado imperador, ele tirou a coroa das mãos do Papa e a colocou na própria cabeça. Ali ele avisou ao mundo que não respeitava mais instituição nenhuma, que ele era a lei.
Napoleão começou a enfiar irmão, cunhado e compadre em cargos de rei pela Europa inteira, achando que o sobrenome dele era escudo. Ele se sentiu tão intocável que mandou meio milhão de soldados para a Rússia no meio do inverno, achando que a sua sorte iria mudar o clima. Não mudou. Ele viu o seu exército morrer de fome e frio no meio da estrada. O final do "homem mais poderoso do mundo" foi em uma ilha perdida no meio do oceano, morando em uma casa úmida, brigando com carcereiro por causa de um pedaço de pão e morrendo de dor no estômago. O sol que ele tentou segurar com a mão acabou fritando a vida dele.
Então a pergunta que fica para nós, no dia a dia do trabalho e dos negócios, é: qual é a distância segura? Empresário tem que falar com governo, líder tem que fazer política; isso faz parte do jogo. Mas tem uma linha invisível que separa o que é trabalho do que é promiscuidade. É a linha onde o seu interesse pessoal começa a atropelar o que é ético e o que é público.
Isso serve para mim e para você. Precisamos sempre estar em alerta e construir pontes sólidas, ficando atentos aos movimentos ao nosso redor. Afinal, quem quer crescer de verdade precisa entender o jogo do poder sem se perder nele. A maturidade de um homem está em reconhecer esse limite. Não precisa ter medo do poder, mas também não pode ser bajulador. Ninguém está acima da responsabilidade pública.
O poder continua sendo como o sol. Ele aquece a economia, faz a roda girar e ilumina o caminho. Mas, se você se achar maior que o brilho dele e tentar chegar perto demais, ele vai te queimar. E quem acredita que pode tudo sem pagar o preço geralmente acorda no frio quando já é tarde demais.
É assim que eu penso.
