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GERAL

O Risco do Rabisco: A Filosofia de Andre Feron

Ele foi criado no campo, daquele sistema antigo de pita e masca fumo

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O Risco do Rabisco: A Filosofia de Andre Feron
Junior Vieira

Tchê! Pensa numa prosa que me deixou pensativo hoje, dia 09 de janeiro de 2026. Estive conversando com o Andre Feron, lá de Dionísio Cerqueira, aqui no sul do nosso país. A gente estava ali colocando a proza em dia sobre diversos assuntos, daquela forma bem fluida. No meio da conversa, entramos no tema da música e ele me contou que estava publicando vídeos no canal dele do YouTube e que a coisa estava começando a crescer, ganhando corpo.



O Andre é gaudério dos bons, tradicionalista daqueles que entende a música do Rio Grande como uma verdadeira poesia. Mas, até então, ele vinha focando em publicar vídeos do Mano Lima e de outros artistas de renome. Foi aí que eu dei um incentivo para ele: "Andre, para de publicar vídeo dos outros e começa a publicar os teus vídeos cantando. Certamente vai começar a chegar convite para você ir se apresentar".


Aí veio a surpresa. Ele me olhou e disse que já tinha recebido convite até da cidade de São Paulo!


Eu insisti para ele se dedicar, porque não tem coisa melhor no mundo do que trabalhar com o que nos dá prazer e nos realiza. O Andre ainda não se vê como artista, ele toca e gosta da música por paixão. Ele foi criado no campo, daquele sistema antigo de pita e masca fumo, uma expressão de quem viveu e conhece o interior do nosso sul de verdade. E de repente ele me saiu com essa:


"Olha Junior, eu prefiro o louco do que o burro."


Fiquei curioso e perguntei o porquê. Ele me disse: "Porque o louco escreve e faz um rabisco, e o burro gasta a borracha antes do lápis".


Isso é um prendizado para a vida! Pelo menos se você escreve, está ali registrado. Por mais que seja um rabisco, você tem um ponto de partida para ir no andamento. Já o burro vai escrever, vai apagar, vai escrever e apagar de novo... Ele gasta a borracha antes do lápis e não faz nada. Não tem estilo certo, não sabe o caminho e não tem foco nenhum.


O Andre, com essa simplicidade de quem conhece o chão que pisa lá no sul e em Dionísio Cerqueira e em todo o nosso país, me deu o mapa da mina: mais vale a coragem de rabiscar o próprio caminho, transformando a vida em poesia como na música gaúcha, do que a hesitação de quem gasta a vida tentando não errar e acaba com as mãos vazias.


É ASSIM QUE EU PENSO. E PRA FECHAR COMO UM BOM GAÚDERIO, E TENHO DITO!


Por Junior Aurélio Vieira de Oliveira, da Série Diferente dos Iguais.


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