O sul é o seu país
As cores do ressentimento e contrassenso.
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As cores do ressentimento e contrassenso.
O sul é o seu país
O Sulitoto é um mascote fresquito. É do sul. Só poderia ser. Tem cheiro de enxofre, e parece patrocinado e vestido pelo velhote da Canaã. Não sou fã. Não sou separatista, mas vou mostrar o meu ponto de vista sobre esse boneco de neve e cor de neve arrepiante.
Pra cá do multiverso, estamos no universo, na via láctea, orbitando a 149 milhões e seiscentos mil quilômetros do Sol. Olhando da li da lua, a terra é apenas um ponto azul no infinito. Pra quem consegue enxergar de mais perto a terra é um Guabiju perdido no mato e nós, uma espécie de carrapato, sugando à exaustão o único lugar possível de morar.
Devíamos nos unir para preservar. Jamais nos separar em bandeiras, que só salientam as diferenças. Precisamos nos conscientizar que somos a única espécie que destrói por egoísmo. Destrói o que for preciso para ter um pouco mais do que os demais. Vivemos todos no mesmo lugar. Precisamos nos unir para cuidar e preservar, e não nos separar por se achar melhor.
Criado oficialmente em 1992, o "sul é meu país" é um movimento de detentos de uma pretensa cultura de superioridade. Essa é a constatação ao escutar ou perguntar às pessoas que defendem essa aberração. Quero esclarecer que meus dados não são estatísticos. São apenas observações de conversas informais. Por eu ser de origem branca e ter morado por mais de 5 anos em Luxemburgo, as pessoas imaginam uma ambientação para expressar essa aberração. Eu tive oportunidade de ter estado em todos os estados do Brasil, e nos estados do sul, provavelmente em mais de 80% dos municípios, com uma peculiaridade, que na maioria das cidades eu cheguei de carona, ambiente que proporciona a naturalidade do interlocutor para expressar as suas verdades. A informalidade propicia um ambiente transparente.
A triste constatação é de que o movimento é ancorado na xenofobia, na grande maioria. Outra anomalia é que no dia-a-dia tem-se a sensação que os partidários são mais significativos, do que mostram as pesquisas. Esta semana eu estou no coração do problema. Escrevo aqui de Indaial. Aqui pensando: se o Sul realmente se tornasse um país independente, qual seria a capital? Pomerode, Blumenau, Gramado, Camboriú... Timbó talvez por tradição, por ter sido a primeira cidade a ter criado um partido nazista no Brasil.
Esse movimento não é original. Já tivemos a revolução farroupilha, e quase quebramos o Brasil com a República de Curitiba. Não quero criticar. Todos somos mais ou menos limitados. Mas sempre que ouço essa cantilena de separar, num ambiente possível de se expressar, sugiro que talvez seja o Brasil que precisa se livrar.
O triste é que existe um padrão no engajamento deste movimento. Das pessoas com quem eu conversei, não encontrei nenhum progressista ou de esquerda. Todos conservadores e de direita. Outra contradição preocupante é que todos as pessoas que afirmam ser separatistas, exaltam as cores do Brasil e se definem como patriotas. Um absoluto contracenso. O nível de interesse, conhecimento econômico, cultural e geográfico, sobre outras regiões do Brasil é preocupante.
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