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GERAL

Sangue raro é transportado em voo comercial para atender paciente em estado grave

Bolsa coletada no Ceará chegou a Juiz de Fora (MG) nesta sexta-feira, 09 de outubro, após transporte articulado pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

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Sangue raro é transportado em voo comercial para atender paciente em estado grave
Paulo Cavalcanti/HEMOCE

Uma bolsa de sangue raro foi transportada na cabine de uma aeronave comercial para atender um paciente em estado grave internado em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O material foi coletado no Ceará e chegou ao destino nesta sexta-feira, 09 de outubro, após o transporte iniciado na quinta-feira, 08 de outubro.


A operação foi realizada por meio de uma parceria do Ministério da Saúde com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas, permitindo o deslocamento gratuito de sangue compatível entre estados. Esta foi a segunda vez que o procedimento foi realizado no Brasil utilizando a cabine de um voo comercial.


O paciente passou por um transplante renal e, durante os testes pré-transfusionais, foi identificado o anticorpo anti-Jsb, condição que dificultou a localização de sangue compatível. Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que localizou um doador no Ceará.


Após ser convocado, o doador compareceu ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia. O material foi acondicionado em embalagem apropriada, com controle rigoroso de temperatura, para garantir as condições necessárias durante o transporte. Outros doadores também estão sendo convocados para atender às necessidades de transfusão do paciente.


Até então, as bolsas de sangue raro eram transportadas como carga, modalidade sujeita a prazos mais longos e restrições. Com a ampliação do acordo de cooperação, o transporte pode ocorrer com mais agilidade, inclusive à noite, nos fins de semana e feriados.


A primeira operação desse tipo no país ocorreu em 12 de setembro, quando uma bolsa de sangue raro foi levada de São Paulo ao Piauí para atender uma pessoa com doença renal crônica em estado grave. Na ocasião, a transfusão foi realizada com sucesso, e o paciente apresentou bom estado de saúde após o procedimento, segundo a equipe responsável pelo atendimento.


Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes. O sistema permite localizar pessoas com características sanguíneas específicas quando os hemocentros não encontram unidades compatíveis em seus próprios estados.


Um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Além dos sistemas ABO e Rh, existem outros antígenos presentes na superfície das hemácias que precisam ser considerados para garantir a compatibilidade em determinadas transfusões.


A identificação desses perfis depende de exames específicos, como fenotipagem e genotipagem. Entre as medidas previstas para ampliar a capacidade de atendimento estão a estruturação de laboratórios de referência e a implantação do congelamento de bolsas de sangue raro, técnica que poderá permitir o armazenamento por até dez anos.


O transporte de sangue raro passa a integrar a estrutura de logística aérea já utilizada para órgãos destinados a transplantes. Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes de órgãos, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

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