STF retira sigilo de processo sobre pagamentos de Daniel Vorcaro
Medida ocorre um dia antes de julgamento sobre pedido de investigação envolvendo Alexandre de Moraes
Pressione ESC para fechar
Medida ocorre um dia antes de julgamento sobre pedido de investigação envolvendo Alexandre de Moraes
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira, 14 de setembro, o sigilo de um processo relacionado à rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão ocorreu após determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente à retirada do sigilo que ainda permanecia sobre o processo.
Com a decisão, o STF tornou públicos documentos relacionados a 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
A retirada do sigilo ocorre um dia antes de um julgamento previsto para esta terça-feira, 15 de setembro. Os ministros devem analisar um relatório da Polícia Federal que reúne 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
O material foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e reúne mensagens enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.
Segundo os investigadores, em parte das mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação da Polícia Federal para prendê-lo. As respostas do interlocutor não foram recuperadas.
O relatório já havia sido tornado público no início de setembro por decisão de Mendonça, relator do caso Master no Supremo. A medida provocou um embate entre ministros da Corte.
A PGR chegou a pedir a anulação do relatório, alegando possíveis irregularidades na condução das investigações. Segundo o órgão, Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de apurações envolvendo um ministro do Supremo sem comunicar previamente o plenário.
Reação
Após a divulgação do relatório, Moraes apresentou a Fachin um documento que classificou como “relatório de inteligência” da Polícia Federal. O material apontaria suposto direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça com o objetivo de atingir desafetos políticos.
O documento, porém, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz a indicação de que foi produzido como uma conjectura e não possui valor probatório.
Moraes também pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin marcou a análise do pedido para 23 de setembro.