Cientistas brasileiros recebem prêmios internacionais por pesquisas sobre Alzheimer
Estudos avançam no diagnóstico precoce da doença e podem ampliar acesso a exames no futuro
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Estudos avançam no diagnóstico precoce da doença e podem ampliar acesso a exames no futuro
Pesquisadores brasileiros ganharam destaque internacional por avanços em estudos sobre o Doença de Alzheimer, considerada um dos maiores desafios da medicina atualmente. Os cientistas Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foram premiados por organizações internacionais por suas contribuições na área.
Lourenço recebeu o prêmio ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, concedido a cientistas em meio de carreira que apresentam contribuições relevantes na área de neurociência. Já Brum foi reconhecido pela Alzheimer’s Association com o prêmio Next One to Watch, voltado a jovens pesquisadores promissores.
As pesquisas conduzidas pelos cientistas buscam compreender melhor os mecanismos da doença e desenvolver formas mais eficientes de diagnóstico precoce.
No caso de Wagner Brum, um dos principais avanços está ligado ao estudo de biomarcadores. O pesquisador desenvolveu protocolos para a aplicação clínica de um exame de sangue capaz de identificar a doença de Alzheimer por meio da proteína p-tau217, considerada um dos principais marcadores biológicos da enfermidade.
O teste já demonstrou alta precisão em estudos científicos. Segundo Brum, pacientes com níveis muito altos ou muito baixos da proteína podem ter o diagnóstico indicado apenas pelo exame de sangue. Em cerca de 20% a 30% dos casos, quando os níveis ficam em uma faixa intermediária, ainda é necessário um exame complementar.
Os protocolos criados pelo pesquisador aumentam a confiabilidade da análise e já vêm sendo utilizados por laboratórios na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, porém, a tecnologia ainda está disponível apenas em alguns laboratórios privados.
O objetivo das pesquisas é viabilizar no futuro a implementação do exame no Sistema Único de Saúde, ampliando o acesso ao diagnóstico da doença. Para isso, estudos em andamento no Rio Grande do Sul avaliam se a adoção do exame pode melhorar a precisão do diagnóstico e contribuir para decisões médicas mais eficazes.
Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer costuma ser feito principalmente a partir da avaliação clínica dos sintomas, com apoio de exames de imagem como tomografia ou ressonância. No entanto, esses métodos não são totalmente específicos para identificar a doença.
Exames mais precisos, como análise de líquor ou a tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), existem, mas possuem alto custo e acesso limitado.
Os estudos com biomarcadores podem representar um avanço importante, permitindo identificar a doença antes mesmo do surgimento dos sintomas, o que aumenta as chances de controle e tratamento.
As pesquisas desenvolvidas pelos cientistas brasileiros contam com apoio de instituições de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, a Fundação Serrapilheira e o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino.
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