Estudo aponta avanço no tratamento do diabetes tipo II com uso de células-tronco
Paciente com diabetes tipo 2 deixou de usar insulina após transplante de células pancreáticas regeneradas
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Paciente com diabetes tipo 2 deixou de usar insulina após transplante de células pancreáticas regeneradas
Médicos de Xangai, na China, conquistaram um avanço considerado inédito no tratamento do diabetes. Pela primeira vez no mundo, um paciente teria sido curado da doença após receber um transplante de células pancreáticas produzidas a partir de células-tronco.
O caso envolve um homem de 59 anos que convivia com Diabetes Tipo 2 havia 25 anos. Segundo o Shanghai Changzheng Hospital, ele está há 33 meses sem precisar de aplicações de insulina após o procedimento.
O avanço científico foi divulgado em um estudo publicado no dia 30 de abril de 2024 no site da revista científica Cell Discovery, resultado de mais de uma década de pesquisas conduzidas por especialistas do hospital.
De acordo com os pesquisadores, este é o primeiro caso relatado no mundo de cura do diabetes com comprometimento severo da função das ilhotas pancreáticas por meio de transplante regenerativo autólogo derivado de células-tronco. As chamadas ilhotas pancreáticas são responsáveis pela produção de insulina no organismo.
O diabetes é considerado uma das doenças crônicas que mais ameaçam a saúde humana. Especialistas alertam que o controle inadequado da glicose no sangue por longos períodos pode provocar complicações graves, como cegueira, insuficiência renal, problemas cardiovasculares e cerebrovasculares, além de amputações.
Situações que colocam a vida em risco também podem ocorrer, como coma hipoglicêmico e cetoacidose, condição que acontece quando o organismo passa a quebrar gordura rapidamente para produzir energia.
Atualmente, a China possui a maior população de pessoas com diabetes no mundo. De acordo com a International Diabetes Federation, cerca de 140 milhões de chineses convivem com a doença, sendo que aproximadamente 40 milhões dependem de aplicações diárias de insulina ao longo da vida.
Pacientes com diabetes grave, que apresentam grande dificuldade para controlar os níveis de glicose, geralmente precisam recorrer ao transplante de ilhotas pancreáticas retiradas do pâncreas de doadores. No entanto, esse tipo de tratamento enfrenta limitações devido à escassez de doadores e à complexidade da tecnologia necessária para isolar as células.
Por isso, a possibilidade de regenerar tecido pancreático humano em laboratório tornou-se um dos principais focos de pesquisa científica em todo o mundo.
O estudo foi liderado pelo pesquisador Yin Hao, diretor do Centro de Transplante de Órgãos do hospital. Segundo ele, a equipe utilizou células do próprio paciente, retiradas do sangue, chamadas de células mononucleares periféricas.
Essas células foram reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas e posteriormente transformadas em “células-semente”, capazes de reconstruir tecido das ilhotas pancreáticas em ambiente artificial.
O paciente que recebeu o tratamento já havia passado por um transplante de rim em junho de 2017 e apresentava perda quase total da função das ilhotas pancreáticas, dependendo de múltiplas aplicações diárias de insulina.
O transplante das células regeneradas foi realizado em julho de 2021. Onze semanas após o procedimento, o paciente deixou de precisar de insulina. Ao longo do tempo, também foi possível reduzir gradualmente os medicamentos orais utilizados para controlar o açúcar no sangue, até a suspensão total um ano depois.
Exames de acompanhamento indicaram que a função das ilhotas pancreáticas foi restaurada de forma eficaz e que a função renal do paciente permaneceu dentro da normalidade.
Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que o tratamento pode ajudar a evitar a progressão das complicações associadas ao diabetes, abrindo caminho para novas possibilidades na medicina regenerativa.
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