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15/01/2025 07:57

Miguel de Cervantes



Nasceu no dia do padroeiro em 1547 e faleceu no dia 22 de abril, dia do descobrimento do Brasil.

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Miguel de Cervantes

Sou eu, em conflito, um amador num exercício tentador de versar sobre um erudito. Fui na casa do Miguel de Cervantes, mas ele saiu antes. Era janeiro, dia 6. Ele  tomou o Rocinante de Dom Quixote e foi no desfile da festa de reis. Cervantes era um idealista e eu sou realista, não fazer uma visita seria indelicado ou falta de cortesia, uma resistência vazia com um fidalgo, mas só encontrei os seus criados. Nem a Dulcineia. Nem sua filha Marcela. Era feriado e o museu estava fechado.

Hoje 16 de janeiro de 2025 completa exatos 420 anos do lançamento do livro Dom Quixote. Dom Quixote é uma obra que faz parte do meu imaginário. Não a li, porque pretendi entender o contexto primeiro. As decepções precisam amadurar pra entender pelo que vale a pena lutar. É preciso ficar louco e perder um bom pouco das ilusões. Eu não sou fidalgo, nem tenho tantas decepções, mesmo assim imagino que terei uma enorme identificação com o Dom Quixote e pouco menos com o Cervantes.

O livro Dom Quixote, me parece uma auto biografia, e eu nunca concordei muito com a ideia obstinada do Cervantes de lutar pelas causas do  rei. Várias lutas ilusórias. Se orgulhar de ter sido ferido em batalhas e portar honrarias militares ou esperar que o país lhe desse algum valor por isso. Imaginar que um Sujeito com esse perfil escrevesse um livro tão universal, só a mais pura decepção é capaz de lapidar.

Cervantes foi um Sujeito errado, um decepcionado. Já o velhote, Dom Quixote, e o desejo claro de sair pelo mundo combatendo as injustiças, esse sim é meu herói e carregamos juntos esta bandeira. Dom Quixote estava lá em Alcalá de Henares, cansado de lutar e saber que os moinhos de ventos são cada vez maiores e mais monstros. A sua maior alegria era que o Sancho Pança, seu fiel escudeiro, se convenceu que ele estava certo, contra as injustiças não se pode parar de lutar.

"A justiça é a perfeição de toda ação humana. A justiça é o que há de especial em toda ação humana, que busca a perfeição"

O que eu queria mesmo era encontrar a sua filha, a  linda pastora Marcela, e convidar ela para vir palestrar e ensinar a liberdade às mulheres e mostrar aos homens o seu lugar. Não se pode aceitar a passividade das mulheres e nem esperar, ficar velho gagá, para lutar. A inteligência, a juventude e a liberdade da Marcela fazem a hora e a hora é agora. O discurso da Marcela deveria vir impresso no registro de nascimento de todas as meninas, pra crescer mulheres.

Eu fui lá, em Alcalá de Henares, a cidade onde nasceu Cervantes. Miguel por ter nascido no dia do padroeiro. Eu gostei da cidade, mas achei ela mais adequada ao Dom Quixote. Eu fui pra entender Cervantes e voltei mais Dom Quixote. Em Dom Quixote eu entendi o sentido da vida e parti.




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