NEGÓCIO NÃO É HERANÇA
A verdade é nua e crua: a equipe é o espelho do dono. Se o colaborador percebe que o patrão não tem mais gosto pelo cliente, ele também deixará de ter. E o mercado não perdoa
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A verdade é nua e crua: a equipe é o espelho do dono. Se o colaborador percebe que o patrão não tem mais gosto pelo cliente, ele também deixará de ter. E o mercado não perdoa
Junior Vieira
Da série Diferente dos Iguais
A crônica desta segunda feira, 11 de maio de 2026, trata de uma realidade que muitos fingem não ver. Grandes empresas estão perdendo a credibilidade porque quem herdou o comando perdeu o gosto pelo cliente.
Recentemente, recebi um relato que serve como um aviso urgente. É a história de um negócio robusto, levantado com o suor de quem sabia o valor de cada pessoa que entrava pela porta, mas que hoje começa a roer por dentro. O motivo é claro: o olhar de cima para baixo da nova geração.
O que vejo hoje é um ciclo perigoso. O fundador comeu o pão que o diabo amassou para abrir as portas; era o primeiro a chegar, preparava o mate e esperava os funcionários com o negócio pronto para girar. O filho até manteve o passo por respeito, mas já sem o mesmo vigor, hoje chega depois de todo mundo. E o neto, protegido por uma bolha de privilégios, parece acreditar que o cliente e o colaborador são obrigados a aceitar sua arrogância.
No mundo dos negócios, existe uma armadilha fatal no verbo. Muitos acreditam que são líderes ou imbatíveis. Mentira. Nos negócios, você nunca é, você está.
O é traz uma falsa sensação de segurança, como se o jogo estivesse ganho para sempre. O está muda tudo. Quando você entende que apenas está na frente do seu concorrente hoje, você compreende que precisa aprimorar o serviço amanhã. No momento em que você relaxa e aceita o título de rei do mercado, o concorrente toma o seu lugar. A prestação de serviço é um campo de batalha diário; quem acha que já chegou ao topo, começa a descer no mesmo instante.
Onde o fundador via uma oportunidade de servir, o herdeiro hoje vê apenas um número. Ele desfila com a caminhonete do ano, mas não tem a capacidade de dar um bom dia sincero. Ele perdeu o prazer de atender. Esqueceu que foi o toque humano, aquele olho no olho do início, que construiu o patrimônio.
A verdade é nua e crua: a equipe é o espelho do dono. Se o colaborador percebe que o patrão não tem mais gosto pelo cliente, ele também deixará de ter. E o mercado não perdoa. Um negócio não arruína do dia para a noite. É um processo lento: um cliente fala mal aqui, outro não gosta da experiência ali, e o efeito manada começa. As pessoas simplesmente deixam a empresa de lado e procuram novas opções para atender sua demanda.
Você que é dono, herdeiro ou está construindo algo agora, precisa entender que o seu negócio só tem três caminhos possíveis. Se você não planeja, o destino escolhe por você:
Você prepara o negócio para vender;
Você prepara uma sucessão profissional e bem feita;
Ou você quebra.
Se não está trabalhando nos dois primeiros caminhos, você já escolheu o terceiro. O sucesso é um empréstimo, e se você se tornar arrogante, o mercado cobra os juros com o esquecimento e a falência.
Esta reflexão serve para todos nós. Não é para apontar o dedo para um ou para outro, mas para analisarmos o nosso dia a dia. O que estamos fazendo diferente? O que precisamos melhorar?
Esta crônica não é um reformatório de adultos. Eu estou aqui para provocar, mas ninguém muda ninguém. A mudança só acontece quando a pessoa quer mudar. Esse é o grande x da questão. A vontade tem que partir de você. Se não houver essa disposição, não existe crônica ou conselho que faça você entender e dar o passo à frente. Se você ler tudo isso e não agir, não adianta nada. É tudo uma decisão de dentro para fora.
Liderança que joga a culpa no funcionário, mas não dá o exemplo no chão de fábrica, é liderança fraca. Se você não honra o esforço de quem suou para construir o que você tem nas mãos, está condenando o próprio futuro.
O alerta é este: cuide para que o seu patrimônio nunca seja maior do que o seu caráter. O que sustenta o teto da sua empresa não é o saldo bancário, é o respeito de quem ajuda você a mantê-lo de pé.
Eu quero saber de você: você identificou o seu negócio neste texto? Como você está pensando a sucessão do que foi construído?
Não deixe o seu legado virar um sepultamento. Se você conhece um líder que precisa desse choque de realidade, compartilhe. Vamos falar a verdade, olho no olho.
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