OS HOMENS DE HOJE NÃO FAZEM SEXO PRA JOGAR
63% delas gostariam de ter relações sexuais com mais frequência. Entre elas, 51% apontaram que a rotina do dia a dia consome o tempo do casal, enquanto 24% disseram ter perdido o interesse na vida sexual
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63% delas gostariam de ter relações sexuais com mais frequência. Entre elas, 51% apontaram que a rotina do dia a dia consome o tempo do casal, enquanto 24% disseram ter perdido o interesse na vida sexual
⚠️ Esta crônica é recomendada para maiores de 18 anos.
OS HOMENS DE HOJE NÃO FAZEM SEXO PRA JOGAR
Antes que alguém me critique pelo título, leia esta crônica até o fim. Ela nasceu de uma conversa, virou uma reflexão e terminou em uma pesquisa.
Recentemente, recebi a mensagem de um jovem de cerca de 20 anos pedindo ajuda para comprar um PC gamer. A conversa acabou, mas a reflexão permaneceu.
Eu sou de outro tempo. Quando tinha 17 ou 18 anos, a gente pegava um ônibus para ir aos bailes do interior de Santo Antonio do Sudoeste. Era a época do Som do Laurão, quem viveu, certamente lembra. Tinha baile na Linha Valdomeira, no Km 5 e em tantas outras comunidades do nosso interior.
A gente saía de casa com 30, no máximo 50 reais no bolso. Uma parte era para o ônibus. Naquela época eu não bebia, éramos menores de idade, então o dinheiro precisava durar a noite inteira. A gente comprava um refrigerante e fazia aquela mesma latinha render até o fim da festa.
Quando não tinha dinheiro para o ônibus, a solução era lotar um Fusca. Hoje isso não pode, e convenhamos, nem naquela época podia. O limite sempre foi de cinco pessoas, mas aquela era a nossa realidade, a nossa aventura, a nossa arte. Lembro de uma vez em que voltamos em nove pessoas dentro de um único Fusca. Hoje parece um absurdo; na época, era apenas mais uma história para contar. Quem nunca fez algo parecido que atire a primeira pedra.
Mas vale destacar um detalhe importante: ninguém ia ao baile por causa do refrigerante. A gente ia para conversar, dançar, paquerar e conhecer alguém. Era ali que muitos relacionamentos começavam. A diversão acontecia olho no olho.
Hoje, muita coisa mudou. Não gosto do discurso de que uma geração foi melhor que a outra; não acredito nisso. Cada época tem suas qualidades e seus desafios. No entanto, existem mudanças que exigem reflexão.
Hoje tornou-se trivial entrar na casa de um adulto e encontrar um PC gamer que custa o valor de uma moto ou até de um carro. O sujeito chega do trabalho, liga o computador e passa horas jogando. Não tenho absolutamente nada contra os jogos, muito pelo contrário. Jogar é lazer, entretenimento e, hoje, até esporte reconhecido. O problema nunca foi o jogo em si, mas sim quando ele passa a ocupar o espaço da convivência.
Outro dia ouvi em um podcast que esta pode ser uma das gerações com menor frequência de relações sexuais. Aquilo ficou na minha cabeça e resolvi pesquisar. Encontrei um levantamento da Hibou Pesquisas e Insights, realizado com 2.030 mulheres brasileiras. O estudo revelou que 63% delas gostariam de ter relações sexuais com mais frequência. Entre elas, 51% apontaram que a rotina do dia a dia consome o tempo do casal, enquanto 24% disseram ter perdido o interesse na vida sexual. Além disso, entre as mulheres insatisfeitas com a vida íntima, 41% apontaram a baixa frequência como a principal causa dessa insatisfação.
E aí entra aquela velha brincadeira.
A mulher diz:
Você não me procura mais...
E o homem responde:
Mas você também não se esconde! ????
É claro que isso é apenas uma brincadeira.
Mas a pesquisa mostra algo sério. É claro que ela não culpa diretamente os jogos, o celular ou o computador. Existem diversos fatores envolvidos. Contudo, esses dados me trouxeram de volta à pergunta inicial: será que estamos trocando a vida real pela virtual?
Antes, a gente saía de casa para encontrar alguém; hoje, muita gente se tranca no quarto para não encontrar ninguém. Antes, a paquera começava em um baile; hoje, em muitos casos, começa e termina diante de uma tela.
Reforço que o título é uma provocação e não se aplica a todo mundo, mas a reflexão continua válida. O problema nunca foi o computador, o videogame ou o celular. O problema começa quando eles substituem aquilo que nos torna humanos: a conversa, o abraço, o carinho, o olhar, o toque e a convivência.
Essa reflexão serve para mim e talvez sirva para você também.
Agora quero ouvir você, principalmente as mulheres: vocês concordam ou discordam dessa reflexão? Na casa de vocês isso acontece? O marido ou namorado passa horas jogando, vai dormir de madrugada e simplesmente vira para o lado?
E aos homens, deixo a pergunta: quanto tempo você investe no seu personagem e quanto tempo investe no seu relacionamento?
Não estou condenando quem joga, mas questionando se o jogo não está ocupando o lugar da própria vida.
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Por Junior Vieira
Jornalista MTE nº 0013503/PR
É assim que eu penso