Paraná avança na substituição do diesel por biometano no transporte pesado
Estado articula produção rural e infraestrutura rodoviária
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Estado articula produção rural e infraestrutura rodoviária
O Paraná avança na estruturação de um novo mercado energético voltado ao transporte pesado ao apostar no uso do biometano como alternativa ao diesel nas rodovias. A estratégia do Governo do Estado envolve a articulação entre secretarias, cooperativas, transportadores e concessionárias de energia para viabilizar o uso do gás renovável tanto em rotas de longa distância quanto em “microcorredores” ligados à produção agropecuária. Os investimentos já estão em andamento e posicionam o Estado como referência nacional na transição energética do setor de transportes.
A iniciativa integra uma política mais ampla de descarbonização da mobilidade, que contempla desde veículos leves, com a implantação de eletrovias, até frotas de cargas pesadas, por meio da ampliação do uso de gás natural e biometano. A proposta é criar condições para que o biometano produzido no campo substitua gradualmente o diesel, reduzindo emissões e custos logísticos.
Com uma cadeia produtiva estruturada que conecta produtores rurais, cooperativas e transportadores, o Paraná aposta na transformação de resíduos da produção agropecuária em combustível limpo. Os chamados Corredores Rodoviários Sustentáveis têm como objetivo ampliar a oferta de gás natural e biometano para abastecimento de caminhões, diversificando a matriz energética do transporte rodoviário com soluções como eletrificação, etanol e biodiesel.
Em 2024, a Companhia Paranaense de Gás (Compagas) iniciou a operação do primeiro corredor rodoviário sustentável entre Londrina e Paranaguá, conectando as regiões Norte e Litoral do Estado. A rota permite a circulação de veículos pesados abastecidos com Gás Natural Veicular (GNV) e, futuramente, biometano. Atualmente, 13 postos já estão preparados para atender caminhões em pontos estratégicos, possibilitando a integração com os estados de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, garantindo maior autonomia às frotas.
Além das rotas de longa distância, o Governo do Estado trabalha na implantação de uma segunda linha de atuação, voltada ao Interior do Paraná, onde não há gasodutos e a produção de biomassa é abundante. A proposta é levar o biometano diretamente às regiões produtoras, fortalecendo a economia local e ampliando o uso do combustível renovável no transporte de cargas agroindustriais.
A Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN), vinculada à Secretaria do Planejamento, coordena a estratégia estadual de transição energética. O órgão destaca que o conceito dos corredores evoluiu para incorporar diferentes fontes de energia, priorizando a diversificação da matriz e a redução das emissões no setor de transportes.
O biometano é quimicamente idêntico ao gás natural e pode ser utilizado na mesma infraestrutura. A diferença está na origem: enquanto o gás natural é um combustível fóssil, o biometano é produzido a partir da digestão de resíduos orgânicos, como dejetos da suinocultura, avicultura, bovinocultura, vinhaça de cana-de-açúcar e resíduos de aterros sanitários.
Para estimular a produção do combustível, o Estado também fortalece programas de incentivo, como o RenovaPR, que oferece linhas de financiamento e equalização de juros para a implantação de biodigestores, além de incentivos fiscais para aquisição de equipamentos. A justificativa é ambiental e econômica, especialmente em cadeias produtivas como a suinocultura, uma das maiores geradoras de biogás.
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), a biodigestão permite tratar resíduos, reduzir a emissão de metano gás com potencial de aquecimento global significativamente superior ao dióxido de carbono, garantir licenciamento ambiental, gerar energia e criar novos ativos econômicos no meio rural.
A expectativa do Governo do Estado é que, com a consolidação desse mercado, o Paraná consiga substituir até 15% do diesel consumido no transporte rodoviário até 2035, promovendo ganhos ambientais, redução de custos para transportadoras e maior eficiência logística em toda a cadeia produtiva.
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