Presidente do Paraguai anuncia renúncia ao cargo
Santiago Peña apresentou pedido de renúncia após crise envolvendo o Ueno Bank, que possui cerca de 3 milhões de clientes. Saída ainda não foi formalizada pelo Congresso paraguaio
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Santiago Peña apresentou pedido de renúncia após crise envolvendo o Ueno Bank, que possui cerca de 3 milhões de clientes. Saída ainda não foi formalizada pelo Congresso paraguaio
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou na quinta-feira (5 de novembro) sua decisão de renunciar à Presidência da República, em meio a uma crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição bancária digital que atende aproximadamente 3 milhões de clientes no país.
Apesar do anúncio, a renúncia ainda não havia sido formalmente aceita pelo Congresso paraguaio até a tarde desta sexta-feira, 06 de novembro. Enquanto isso, o Senado deu andamento ao processo de impeachment contra o presidente, ampliando a incerteza sobre o futuro político do país.
A crise começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, motivada pelo descumprimento de exigências mínimas de solvência. A instituição administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados a órgãos estatais e ao sistema previdenciário.
A medida provocou o bloqueio de contas e dificuldades para milhões de clientes acessarem seus recursos, desencadeando manifestações e aumentando a pressão sobre o governo.
Santiago Peña manteve participação empresarial no grupo ligado ao banco até março de 2025. A relação passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que apontam possíveis conflitos de interesses, interferências na fiscalização e irregularidades envolvendo recursos públicos.
O presidente nega ter cometido irregularidades e defende que as questões relacionadas ao banco sejam investigadas pelas autoridades competentes. As acusações ainda não representam comprovação de responsabilidade criminal.
A crise também provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central do Paraguai. Paralelamente, dirigentes ligados ao Ueno Bank passaram a responder a investigações e medidas judiciais.
Nesta sexta-feira, 06 de novembro, o Senado rejeitou um pedido de Santiago Peña para obter mais 72 horas de preparação de sua defesa. O presidente não compareceu no horário previsto para o julgamento político, e os parlamentares deram continuidade à análise das acusações. Posteriormente, seus advogados compareceram e questionaram o prazo concedido para a defesa.
A Câmara dos Deputados já havia aprovado o prosseguimento do impeachment, encaminhando o processo ao Senado, responsável pela decisão sobre uma eventual destituição.
Caso a renúncia seja aceita ou o presidente seja destituído, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência da República, conforme as regras constitucionais paraguaias.
Até a última atualização desta reportagem, a situação institucional permanecia indefinida, com o processo político em andamento e as autoridades investigando os desdobramentos da crise bancária.