A IA parou de conversar e começou a trabalhar
Hoje eu não estou escrevendo uma coluna comum.
O que você está lendo aqui é um artigo, baseado em um texto publicado pela revista Forbes em 23 de janeiro de 2026, que me chamou a atenção não pelo exagero tecnológico, mas pela forma honesta de enxergar o que está acontecendo.
Nos últimos anos, a história da inteligência artificial foi contada quase sempre do mesmo jeito. Uma corrida para criar chatbots mais inteligentes, respostas melhores, menos erros e uma experiência um pouco mais impressionante dentro da mesma caixa digital onde a gente digita mensagens todos os dias.
Mas o próprio artigo da Forbes é claro ao dizer que essa não é a mudança que realmente vai alterar o comportamento das pessoas.
O ponto de virada não está em deixar assistentes genéricos um pouco melhores. Está no surgimento de agentes extremamente específicos, ainda em fase de treinamento, que fazem uma coisa só, às vezes estranha, às vezes curiosa, mas que acabam conquistando as pessoas antes mesmo que alguém pare para questionar por que aquilo existe.

A Forbes chama isso de microaplicativos.
Eu chamo de um sinal claro de que a IA deixou de ser discurso e começou a entrar na rotina.
Em 2026, segundo o artigo, os agentes de IA não vão se popularizar por serem inteligentes. Eles vão se espalhar porque são peculiares, pessoais e culturalmente copiáveis, do mesmo jeito que memes se espalham. Não por grandes implementações corporativas ou metas de produtividade, mas porque tocam algo emocional, específico e fácil de reproduzir.
E é aqui que a conversa fica interessante.
Esses agentes ainda estão sendo treinados, testados, ajustados. Nada disso está pronto ou perfeito. Mesmo assim, já começam a aparecer em usos muito reais, como espaços de ensaio para conversas difíceis, negociações salariais, decisões emocionais e situações que a gente normalmente evita.
O artigo fala de companheiros de IA que não servem para informar, mas para praticar. Pessoas usando agentes para ensaiar conversas que têm medo de ter, testar tom de voz, aprender a dizer não, pedir o que merecem ou simplesmente organizar o que sentem antes de falar.
Não é terapia com IA.
Não é substituição de pessoas.
É um espaço privado para organizar linguagem, emoção e intenção.
E isso pode soar estranho no começo.
Constrangedor até.
Mas a própria Forbes lembra que muita coisa que hoje é comum começou assim. Aplicativos de terapia, por exemplo, também foram vistos com desconfiança antes de se tornarem socialmente aceitos.
Outro ponto que o artigo traz, e que considero importante, é o uso de agentes como arquivos vivos de memória. Não para substituir pessoas, não para ressuscitar ninguém, mas para organizar lembranças, mensagens, áudios, histórias e fragmentos de relações que, de outra forma, se perderiam no tempo.
Não é um fantasma digital.
É um álbum de memórias que conversa com você.
O texto também fala de agentes para animais de estimação, não como tradução científica do que um cachorro ou um gato pensa, mas como um ritual de conexão. Não é sobre precisão. É sobre vínculo. E isso diz muito sobre como essas tecnologias se espalham. Elas não precisam estar certas. Elas precisam fazer sentido emocional.
Talvez o trecho mais revelador do artigo seja quando ele fala dos chamados microagentes para microidentidades. A ideia de termos versões diferentes de nós mesmos para contextos diferentes. Uma versão para o trabalho, outra para o cuidado pessoal, outra para o lazer, outra para nos segurar quando estamos prestes a perder o equilíbrio.
Esses agentes não substituem identidade.
Eles externalizam processos.
E isso conversa diretamente com algo que eu sempre defendo. Tecnologia nenhuma corrige bagunça. Ela só acelera.
Se o processo for ruim, o agente escala o problema.
Se a regra for confusa, o erro se multiplica.
Se ninguém acompanha, o risco cresce.
O próprio artigo deixa claro que esses agentes não vão impressionar em apresentações ou painéis corporativos. Eles vão ganhar espaço porque são emocionalmente marcantes no dia a dia. Porque quebram padrões, se espalham rápido e se tornam parte da cultura antes mesmo de virarem produto formal.
Quando muita gente perceber o que está acontecendo, os mais jovens já terão incorporado isso à rotina.
E quando isso acontece, o resto do mundo costuma apenas seguir.
Para mim, a mensagem central desse artigo da Forbes não é sobre tecnologia.
É sobre comportamento.
A IA não está ficando apenas mais inteligente.
Ela está ficando mais próxima, mais específica e mais cotidiana.
E mesmo ainda em treinamento, ela já começou a trabalhar.
Junior Aurélio Vieira de Oliveira
É assim que eu penso.

Forbes
Artigo: 2026 Is the Year AI Agents Get Weird but Everyone Uses Them Anyway
Publicado em 23 de janeiro de 2026