A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu, nas primeiras horas desta quarta-feira, 10 de junho, em Fortaleza/Ceará, um homem investigado por fraudar o acesso a sistemas do Poder Judiciário em diversos estados brasileiros e manter vínculos com uma organização criminosa. A ação contou com o apoio da Polícia Civil do Ceará.
Segundo a PCPR, as investigações começaram após a identificação do uso de identidades falsas e de tecnologias de certificação digital para burlar mecanismos de segurança de tribunais e parlatórios virtuais. Entre os crimes apurados estão falsidade ideológica, uso de documento falso e colaboração com organização criminosa.
De acordo com a polícia, o investigado teria acessado de forma fraudulenta ao menos 80 processos de execução penal no Paraná. Além disso, utilizando credenciais falsas, teria realizado 118 atendimentos virtuais a detentos em unidades prisionais de Santa Catarina.
As apurações também apontaram que o suspeito mantinha contato com lideranças de uma organização criminosa catarinense. Conforme a PCPR, ele utilizava um perfil profissional falso para oferecer serviços ilícitos ao grupo, incluindo promessas de transferências de presos mediante pagamentos que poderiam chegar a R$ 200 mil.
Segundo o delegado da PCPR, Emmanoel David, o investigado alegava possuir supostos contatos influentes no Supremo Tribunal Federal para acelerar trâmites processuais em benefício da organização criminosa.
Ainda conforme a investigação, o homem utilizava indevidamente o registro profissional de um advogado de São Paulo e chegou a atuar formalmente perante tribunais. No Tribunal de Justiça do Ceará, ele teria realizado sustentação oral em causa própria durante uma sessão da Terceira Câmara Criminal, utilizando identidade falsa.
A PCPR informou também que, em 2016, o investigado foi preso em flagrante portando documentos em nome de um então deputado federal. Para dificultar a identificação pelas autoridades, ele teria alterado legalmente seu nome no registro civil.
As diligências técnicas revelaram ainda que o suspeito utilizava dois números de CPF distintos, sendo um ativo e regular e outro suspenso, alternando os dados conforme a necessidade das fraudes.
Segundo informações da Polícia Civil, o homem possui registros criminais desde a década de 1990. No ano 2000, foi acusado de aplicar golpes contra instituições bancárias no Brasil e no exterior que teriam causado prejuízos estimados em aproximadamente US$ 30 milhões. Já em 2001, foi apontado como mentor de uma quadrilha investigada por tentar clonar o cartão de crédito de um governador de estado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Paraná.