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GERAL

Nova espécie de rã-de-vidro é identificada no Cerrado

Vitreorana micaelae foi encontrada em matas de galeria próximas a riachos de Luziânia, em Goiás

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Nova espécie de rã-de-vidro é identificada no Cerrado
Afonso Meneses/Divulgação

Pesquisadores identificaram uma nova espécie de rã-de-vidro no Cerrado. A espécie, denominada Vitreorana micaelae, foi localizada em matas de galeria que margeiam pequenos riachos afluentes do Rio Corumbá, no município de Luziânia, em Goiás.


A descoberta foi resultado de um trabalho integrado realizado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB), liderados pelo biólogo Wilian Vaz-Silva.


A pequena rã, de coloração esverdeada e aspecto quase transparente, chamou a atenção dos pesquisadores por apresentar características semelhantes às de outras espécies conhecidas. A partir da gravação do canto dos animais e de novas análises, o grupo iniciou uma investigação para verificar a identificação.


Os pesquisadores utilizaram diferentes métodos, incluindo análise da morfologia, bioacústica, genética molecular e observações realizadas em campo. Os resultados indicaram diferenças consistentes em relação às espécies já conhecidas, confirmando que se tratava de uma nova espécie.


Entre as características identificadas estão diferenças no material genético, no canto, na forma da íris, na pigmentação dorsal e na morfologia, especialmente na região próxima à cloaca.


A Vitreorana micaelae passa pouco mais de 2 centímetros e apresenta hábitos que dificultam sua localização. Os indivíduos costumam permanecer no alto de árvores próximas a barrancos inclinados às margens dos rios e vocalizam principalmente durante períodos de chuva intensa. Além disso, a ocorrência dos animais é distribuída de forma espalhada pela região.


O comportamento reprodutivo observado também apresenta características semelhantes às de outras espécies do gênero Vitreorana. O casal deposita os ovos sobre folhas de árvores altas, onde permanecem presos. O macho participa da proteção dos ovos e, após a eclosão, os girinos caem no riacho localizado abaixo das árvores e passam a viver enterrados no sedimento.


A identificação da nova espécie também ajudou a esclarecer um registro realizado anteriormente na região. Em 2013, pesquisadores haviam encontrado indivíduos no Cerrado e os identificado como Vitreorana eurygnatha. A nova análise demonstrou que aqueles animais pertenciam, na realidade, a uma espécie ainda não descrita pela ciência.


O estudo que formalizou a descrição da Vitreorana micaelae foi publicado na edição de setembro da revista científica ZooKeys. Os pesquisadores recomendam que a espécie seja inicialmente classificada como Dados Insuficientes (DD) no sistema da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), já que ainda são necessários estudos para determinar o tamanho da população e as possíveis ameaças à sua sobrevivência.


Até o momento, três localidades do Cerrado já foram identificadas com presença da espécie, embora uma delas ainda esteja em estudo e não tenha sido publicada cientificamente.


O nome Vitreorana micaelae é uma homenagem à bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa do pesquisador Wilian Vaz-Silva.


A descoberta também chama atenção para a necessidade de preservação dos ambientes onde a espécie ocorre. Entre as ameaças apontadas pelos pesquisadores estão as mudanças climáticas, que podem alterar o regime de chuvas, além do desmatamento e do represamento de rios para a instalação de pequenas hidrelétricas.


Como a espécie depende de riachos e de ambientes de mata de galeria para completar seu ciclo de vida, alterações nesses locais podem afetar diretamente sua sobrevivência. O conhecimento ainda limitado sobre a distribuição e o tamanho das populações reforça a necessidade de novos estudos sobre a Vitreorana micaelae e seu habitat.

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