Na tarde desta segunda-feira, 25 de agosto, o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) de Cascavel identificou mais três vítimas do padre de 41 anos preso no domingo, 24, durante a Operação “Lobo em Pele de Cordeiro”. Entre elas estão duas pessoas maiores de idade, de 33 e 20 anos, e um adolescente de 16 anos.
Segundo a Polícia Civil, o caso mais recente de abuso aconteceu há cerca de duas semanas, dentro da clínica onde o padre atuava, tendo como vítima o jovem de 20 anos. Todas as vítimas identificadas até o momento são do sexo masculino. Elas já prestaram declarações nesta segunda-feira.
Relembre o caso
O inquérito policial foi instaurado em 16 de julho de 2025, a partir de informações da Agência Regional de Inteligência do 5º Comando Regional de Polícia Militar, que apontavam possíveis casos de abuso sexual contra menores de idade.
As investigações indicam um padrão de comportamento predatório que teria começado em 2010, quando o investigado ainda era seminarista. De acordo com a apuração, as vítimas eram em sua maioria adolescentes em situação de vulnerabilidade social e jovens ligados a atividades religiosas. Muitos eram atraídos por promessas de dinheiro, viagens, presentes e convites para pernoitar na casa do padre.
O suspeito foi afastado de suas funções eclesiásticas pela Diocese de Cascavel no dia 14 de agosto, após o surgimento das primeiras evidências. Até o final de 2024, ele atuava como pároco em uma igreja católica na região de Cascavel/PR.
Além dos abusos, as investigações também apontam para possíveis irregularidades financeiras na paróquia em que atuava e para o exercício ilegal da medicina, já que ele oferecia “terapias complementares” em consultório próprio. Há ainda registros de reincidência no comportamento, incluindo uma tentativa de abuso contra outro seminarista em 2010, em um município da região.
Prisão temporária
O padre foi preso em sua residência e na clínica em que atuava, após cumprimento de mandados de busca e apreensão. Ele permanece à disposição da Justiça.
A prisão temporária foi determinada em razão de indícios de que o investigado tentava insistentemente entrar em contato com possíveis vítimas e testemunhas, o que poderia comprometer as investigações e causar intimidação.
Continuidade das investigações
Até o momento, aproximadamente 11 pessoas foram ouvidas no inquérito. A Polícia Civil segue com as diligências para identificar outras vítimas e apurar todos os fatos.
A corporação reforça a importância de que eventuais vítimas ou testemunhas entrem em contato com o NUCRIA de Cascavel ou utilizem os canais oficiais de denúncia:
NUCRIA Cascavel: (45) 3326-4909
Disque 100 (canal nacional de denúncias de violação de direitos humanos)
Disque 181 (Disque-Denúncia do Paraná).

