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O coração que confia nunca caminha sozinho

Na noite de 10 de junho, os fiéis refletiram sobre os milagres de Santo Antônio de Pádua e o poder de uma confiança inabalável em Deus, capaz de sustentar o coração mesmo nos momentos mais difíceis da caminhada

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O coração que confia nunca caminha sozinho
Mídia Sudoeste

Há feridas que ninguém vê. Há lágrimas que caem apenas quando estamos sozinhos. Há orações que repetimos tantas vezes que, em alguns momentos, chegamos a nos perguntar se Deus realmente as ouviu. E talvez seja justamente por isso que Santo Antônio continua tocando tantos corações séculos depois de sua passagem pela Terra. Porque sua vida não fala apenas de milagres extraordinários. Ela fala da esperança que resiste quando tudo parece perdido.


Na noite de 10 de junho, os fiéis se reuniram para mais um encontro da Trezena de Santo Antônio de Pádua, trazendo consigo suas alegrias, preocupações, pedidos e agradecimentos, em uma noite marcada pela reflexão sobre a fé que transforma o impossível em testemunho da presença de Deus.



Quando ouvimos falar dos peixes que saíram das águas para escutar sua pregação, da mula que se ajoelhou diante de Jesus na Eucaristia, do veneno que perdeu sua força, da vida que foi restaurada e dos inúmeros prodígios atribuídos ao santo, é fácil admirar os milagres. Mas existe algo ainda mais impressionante por trás de cada um deles: a confiança absoluta que Santo Antônio depositava em Deus.


Ele acreditava quando ninguém acreditava.


Confiava quando não havia garantias.


Perseverava quando muitos desistiriam.


E talvez seja exatamente essa a mensagem que mais precisamos ouvir hoje.


Vivemos em um tempo em que muitas pessoas estão cansadas. Cansadas de lutar. Cansadas de esperar. Cansadas de carregar dores que ninguém percebe. Existem pais rezando pelos filhos. Filhos rezando pelos pais. Famílias pedindo reconciliação. Pessoas enfrentando doenças, dificuldades financeiras, solidão e medos que nem conseguem colocar em palavras.


E quantas vezes pensamos que Deus está distante porque a resposta não chegou no momento que desejávamos?


Mas Santo Antônio nos recorda que o silêncio de Deus nunca significa ausência.


Enquanto esperamos, Deus trabalha.


Enquanto choramos, Deus acolhe.


Enquanto duvidamos, Deus continua nos sustentando.


Talvez o maior milagre não seja quando uma porta se abre de repente. Talvez o maior milagre seja quando encontramos forças para continuar caminhando mesmo diante das portas fechadas. Talvez o maior milagre seja permanecer de pé quando tudo ao redor parece desmoronar. Talvez o maior milagre seja voltar a acreditar depois de tantas decepções.


Foi isso que Santo Antônio ensinou com sua própria vida.


Os milagres não nasciam do desejo de impressionar as pessoas. Eles nasciam de um coração completamente entregue ao Senhor. Um coração que sabia que Deus é maior que qualquer problema, maior que qualquer sofrimento e maior que qualquer impossibilidade humana.


Hoje, talvez Deus não esteja pedindo de você uma fé gigantesca. Talvez Ele esteja pedindo apenas que você não desista.


Que continue rezando.


Que continue esperando.


Que continue acreditando.


Mesmo quando as lágrimas insistirem em cair.


Mesmo quando o caminho parecer escuro.


Mesmo quando o coração estiver cansado.


Porque a fé que move montanhas não é a fé de quem nunca sofreu. É a fé de quem continua confiando apesar do sofrimento.


Ao final de sua vida, Santo Antônio não deixou apenas histórias de milagres. Ele deixou uma certeza que atravessa os séculos: Deus continua realizando maravilhas na vida daqueles que entregam suas preocupações em Suas mãos.


E que Santo Antônio nos ajude a compreender que, quando colocamos nossa vida nas mãos do Senhor, nada está perdido. Porque o Deus que fez os peixes ouvirem um sermão, que transformou corações endurecidos e que realizou maravilhas através de Seu servo fiel, continua sendo o mesmo Deus que hoje caminha ao nosso lado, enxuga nossas lágrimas e nos convida a acreditar mais uma vez.


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