Pesquisa identifica semelhança entre bactérias de tartarugas-verdes e resíduos plásticos
Estudo analisou cinco animais em Niterói e comparou microrganismos encontrados nas tartarugas, no plástico, na água do mar e nas algas
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Estudo analisou cinco animais em Niterói e comparou microrganismos encontrados nas tartarugas, no plástico, na água do mar e nas algas
Uma pesquisa realizada no litoral do Rio de Janeiro identificou uma semelhança entre os microrganismos presentes em tartarugas-verdes (Chelonia mydas) e aqueles encontrados em resíduos plásticos no ambiente marinho. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), com participação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do projeto Aruanã.
O estudo analisou cinco tartarugas-verdes coletadas na praia de Itaipu, em Niterói. Os pesquisadores avaliaram as bactérias presentes nos animais e compararam os resultados com amostras de plástico, água do mar e algas encontradas na mesma região.
A comparação mostrou que a composição bacteriana identificada nas tartarugas apresentou maior semelhança com a encontrada nos resíduos plásticos do que com as bactérias presentes nas algas e na água do mar.
O resultado chamou a atenção porque as algas fazem parte da alimentação das tartarugas-verdes. A expectativa dos pesquisadores era encontrar maior proximidade entre os microrganismos dos animais e os presentes em seu alimento.
Entre os gêneros de bactérias identificados nas amostras estão Vibrio, Pseudomonas, Bacillus, Staphylococcus, Streptococcus, Chryseobacterium e Clostridium. Alguns desses grupos possuem espécies associadas a doenças em animais e seres humanos.
A pesquisa, porém, não estabeleceu que as bactérias encontradas tenham provocado doenças nas tartarugas. Os pesquisadores também não conseguiram determinar as espécies específicas dos microrganismos. A análise chegou ao nível de gênero, o que impede afirmar que as bactérias identificadas fossem patogênicas.
O trabalho aponta que o contato com resíduos plásticos e a possível ingestão desse material podem representar uma fonte de exposição das tartarugas a diferentes microrganismos presentes no ambiente marinho. Os animais, por sua vez, também podem transportar essas bactérias durante seus deslocamentos naturais.
A pesquisa foi conduzida pelo professor Filipe Berbeti, com orientação de Henrique Fragoso dos Santos, do Laboratório de Microbiologia Ambiental e Microbiotecnologia da UFF. Os resultados foram publicados em agosto na revista científica Environmental Pollution.
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