Menu

Idioma
JORNAL DIGITAL MURAL DA COMUNIDADE
Informações
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
Visitantes Total
19.253.498
Hoje
34.441
Cotações
Dólar
R$ --
Euro
R$ --
Peso ARG
R$ --
Redes Sociais
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
  • Banner
GERAL

Por que algumas pessoas são “ímãs de mosquito”?

Diferenças no odor da pele, gás carbônico, calor, microbiota e estímulos visuais ajudam a explicar por que algumas pessoas recebem mais picadas

Compartilhar
Por que algumas pessoas são “ímãs de mosquito”?
Mídia Sudoeste

Se, em um grupo de pessoas, os mosquitos parecem escolher sempre a mesma pessoa, isso pode ter uma explicação científica. Pesquisas mostram que os seres humanos não são igualmente atraentes para esses insetos e que diferenças individuais no odor da pele estão entre os principais fatores envolvidos nesse comportamento.


Um estudo publicado em 2022 na revista científica Cell identificou diferenças consistentes na atração do Aedes aegypti por diferentes pessoas. Os pesquisadores acompanharam voluntários e verificaram que alguns indivíduos eram persistentemente mais atraentes para os mosquitos do que outros, inclusive quando avaliados novamente após anos.


A análise química indicou que as pessoas mais atraentes apresentavam níveis mais elevados de ácidos carboxílicos nas substâncias liberadas pela pele. Esses compostos estão relacionados à camada natural de gordura e proteção da pele e podem contribuir para a formação do odor corporal percebido pelos mosquitos.


A pele funciona como uma assinatura química


O odor de cada pessoa é resultado de uma combinação de fatores. Substâncias produzidas pelo próprio organismo podem ser modificadas por microrganismos que vivem naturalmente na pele, formando compostos voláteis que chegam ao ambiente.


Uma revisão científica publicada na revista Trends in Parasitology destaca que grande parte dos compostos voláteis associados ao odor da pele é produzida ou modificada pela microbiota cutânea. Diferenças na composição dessa microbiota podem contribuir para que uma pessoa seja mais ou menos atraente para determinadas espécies de mosquitos.


Isso significa que duas pessoas podem estar no mesmo lugar, expostas às mesmas condições, e ainda assim serem percebidas de maneira diferente pelos insetos.


O mosquito não depende apenas do cheiro


O odor é importante, mas não é o único sinal utilizado pelos mosquitos.


As fêmeas utilizam uma combinação de estímulos para localizar um hospedeiro, incluindo gás carbônico (CO₂), calor, umidade, odores e sinais visuais. O CO₂ liberado pela respiração pode ajudar o inseto a identificar que existe um possível hospedeiro nas proximidades.


Depois, outros sinais ajudam a direcionar o voo até o local onde o mosquito poderá pousar e realizar a alimentação. Estudos experimentais com Aedes aegypti demonstraram que o inseto integra informações provenientes do CO₂, do calor e da visão durante a busca pelo hospedeiro.


E por que algumas pessoas são mais procuradas?


A resposta não está em um único fator.


A quantidade e a composição dos compostos liberados pela pele variam entre os indivíduos. A temperatura corporal, a produção de suor, a respiração, o metabolismo e a composição da microbiota também podem influenciar os sinais disponíveis para os mosquitos.


Pesquisas com diferentes espécies mostram ainda que essa preferência não é necessariamente igual para todos os mosquitos.


Um estudo publicado em 2026 na revista iScience analisou 119 participantes e três espécies: Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus. Os pesquisadores verificaram que as espécies podiam apresentar preferências diferentes pelos mesmos indivíduos.


Em outras palavras, uma pessoa que é bastante atraente para uma espécie pode não ser igualmente atraente para outra. O estudo também encontrou diferenças nos compostos do odor e nos microrganismos associados à pele dos participantes mais ou menos atraentes para cada espécie.


As bactérias da pele também participam desse processo


A relação entre microbiota e atração dos mosquitos vem sendo estudada há anos.


Os microrganismos presentes na pele ajudam a transformar substâncias produzidas pelo organismo em compostos voláteis. Alguns desses compostos podem atrair os mosquitos, enquanto outros podem reduzir o comportamento de pouso.


Um estudo publicado na revista Scientific Reports analisou dezenas de cepas de bactérias normalmente encontradas na pele humana e avaliou os compostos voláteis produzidos por elas. Os pesquisadores demonstraram que determinadas substâncias liberadas pela atividade bacteriana podem alterar o comportamento de pouso do Aedes aegypti.


Isso não significa, porém, que exista uma única bactéria responsável por transformar alguém em “ímã de mosquito”. A relação é mais complexa e envolve o conjunto de microrganismos e substâncias presentes na pele.


Roupas escuras podem influenciar


A visão também participa da busca pelo hospedeiro.


Experimentos publicados na revista Current Biology mostraram que o Aedes aegypti apresenta atração por contrastes visuais escuros e que estímulos visuais podem interagir com sinais como CO₂ e calor durante a busca por um hospedeiro.


Nos experimentos, superfícies aquecidas associadas a estímulos visuais escuros apresentaram maior atração em determinadas condições.


Por isso, roupas que cubram a pele podem ajudar a reduzir a exposição. A cor da roupa, entretanto, é apenas um dos fatores envolvidos e não explica sozinha por que uma pessoa é mais picada do que outra.


Depois do exercício, o corpo pode ficar mais “visível” para os mosquitos


A atividade física modifica vários sinais utilizados pelos mosquitos. Durante e logo após o exercício, a pessoa pode apresentar aumento da temperatura corporal, maior produção de suor e alterações na respiração e na liberação de CO₂.


Essas mudanças podem contribuir para a localização do hospedeiro, especialmente quando combinadas com os odores produzidos pela pele.


O processo é resultado da integração de diferentes sinais e não simplesmente do fato de a pessoa estar suada. Estudos sobre o comportamento de busca dos mosquitos mostram justamente essa combinação entre estímulos químicos, térmicos e visuais.


Ser mais picado não significa falta de higiene


Uma pessoa receber mais picadas não significa que ela esteja menos limpa ou tenha necessariamente mais suor.


As diferenças podem estar relacionadas à química natural da pele, à microbiota, à genética, ao metabolismo, à temperatura corporal e à quantidade e composição dos compostos liberados pelo organismo.


O estudo publicado na Cell é particularmente importante nesse ponto porque demonstrou que a diferença de atratividade entre indivíduos pode permanecer relativamente estável ao longo do tempo.


As fêmeas são as que picam


Outro detalhe importante é que, quando se fala em mosquitos que picam seres humanos, estamos falando principalmente das fêmeas.


Elas precisam de uma refeição de sangue para obter nutrientes necessários ao desenvolvimento dos ovos. Machos não realizam essa alimentação sanguínea e têm uma dieta baseada principalmente em néctar e outras fontes de açúcares.


Como diminuir a exposição


Não é possível alterar fatores como genética ou a composição natural da pele, mas algumas medidas podem reduzir o contato com os mosquitos.


Roupas que cubram braços e pernas ajudam a diminuir a área de pele exposta. Repelentes também são uma das principais formas de proteção individual.


Além disso, reduzir a exposição em locais e horários de maior atividade dos mosquitos e eliminar recipientes que possam acumular água são medidas importantes para diminuir a presença desses insetos.


A ciência ainda investiga como o odor humano é reconhecido pelos mosquitos e como essa informação poderia ser utilizada para desenvolver novas formas de repelência e controle.


Por enquanto, uma coisa já está bem demonstrada: se os mosquitos parecem ter escolhido você entre todas as pessoas presentes no ambiente, não é necessariamente azar. Seu corpo pode simplesmente estar oferecendo uma combinação de sinais químicos, térmicos e visuais que esses insetos conseguem detectar com muita eficiência.

Mais Notícias

Nota de Falecimento: Paulo Sérgio Cordeiro

Nota de Falecimento

Nota de Falecimento: Paulo Sérgio Cordeiro
  • Banner