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GERAL

Reviravolta no caso Cão Orelha: perícia afasta agressão e aponta doença grave

Análise de quase dois mil arquivos concluiu que adolescentes e o animal não estiveram juntos na praia no horário investigado

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Reviravolta no caso Cão Orelha: perícia afasta agressão e aponta doença grave
Mídia Sudoeste

O caso do cão “Orelha”, que ganhou grande repercussão nas redes sociais após denúncias de supostos maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis/Santa Catarina, teve uma reviravolta após a conclusão das análises periciais realizadas pelo Ministério Público de Santa Catarina.


As Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso solicitaram ao Poder Judiciário o arquivamento da investigação ao concluírem que os adolescentes investigados e o animal não estiveram juntos na praia no horário da suposta agressão. A conclusão foi baseada na análise de quase dois mil arquivos digitais, entre vídeos, imagens, dados de celulares apreendidos, fotografias, laudos técnicos e depoimentos de testemunhas.


A manifestação protocolada possui 170 páginas e foi assinada por três Promotorias de Justiça. O documento detalha a reconstituição da cronologia dos fatos e os elementos técnicos que levaram ao pedido de arquivamento.


Segundo o Ministério Público, a investigação inicial utilizou imagens do sistema público de monitoramento Bem-Te-Vi e câmeras privadas de condomínio para apontar que um dos adolescentes teria permanecido cerca de 40 minutos junto do cão na faixa de areia.


Porém, uma reanálise minuciosa das imagens identificou um descompasso temporal de aproximadamente 30 minutos entre os sistemas de monitoramento. As câmeras do condomínio registravam horário adiantado em relação às câmeras públicas.


A diferença foi confirmada pela Polícia Científica e também pelo Grupo de Trabalho criado pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso.


Com a correção da linha do tempo, os investigadores concluíram que, no momento em que o adolescente esteve próximo ao deck da Praia Brava, o cão “Orelha” estava cerca de 600 metros distante do local.


Outro ponto considerado determinante foi a constatação, nas imagens analisadas, de que o animal apresentava capacidade motora preservada quase uma hora após o horário em que a suposta agressão teria acontecido. Conforme o Ministério Público, isso afastou a hipótese de que o cão teria retornado da praia debilitado após um ataque recente.


As perícias veterinárias também tiveram peso decisivo na conclusão do caso. O laudo elaborado após a exumação do corpo apontou ausência total de fraturas, cortes, rasgos ou lesões compatíveis com agressão humana.


Segundo os peritos, o cão apresentava sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica possivelmente causada por doença periodontal avançada. O exame identificou ainda acúmulo severo de cálculos dentários e uma lesão profunda abaixo do olho esquerdo, com sinais de inflamação prolongada.


As fotografias anexadas ao processo mostraram que o animal apresentava apenas um inchaço acentuado na região ocular esquerda, sem marcas externas de violência.


O Ministério Público também destacou que a cadela “Pretinha”, companheira do cão “Orelha”, morreu dias depois em decorrência da doença do carrapato, reforçando o contexto de vulnerabilidade sanitária dos animais.


Outro aspecto apontado pelas Promotorias foi a ausência de registros visuais ou testemunhais que comprovassem a suposta agressão na praia. Conforme o documento, as acusações surgiram a partir de relatos indiretos, comentários de terceiros e publicações nas redes sociais com expressões como “ouvi dizer” e “vi nas redes sociais”.


Ainda segundo a manifestação, não foram encontrados vídeos que comprovassem as agressões inicialmente divulgadas.


O Ministério Público afirmou que a disseminação de informações não verificadas contribuiu para a formação precoce de uma narrativa de autoria, direcionando a investigação com base em suposições.


O documento também aborda a investigação envolvendo suposta coação no curso do processo. Conforme as Promotorias, o desentendimento ocorrido entre familiares dos adolescentes e o porteiro do Condomínio Água Marinha aconteceu antes da instauração do inquérito relacionado ao cão “Orelha” e não teve ligação com a investigação.


Diante disso, também foi solicitado o arquivamento desse procedimento.


As Promotorias ainda concluíram que não houve maus-tratos envolvendo os cães conhecidos como “Caramelo”. Segundo a investigação, imagens mostraram que os jovens apenas brincavam com um dos animais na praia, sem tentativa de afogamento.


Já no caso do cão que teria sido supostamente arremessado para dentro de um condomínio, as imagens comprovaram que os adolescentes não tocaram no animal, apenas o induziram a entrar no local, sendo posteriormente retirado pela equipe de segurança.


Além do arquivamento do caso, o Ministério Público solicitou o envio de cópias do procedimento à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para análise de possíveis irregularidades durante a investigação.


Também foi requerido encaminhamento de informações à 9ª Promotoria de Justiça para apuração sobre eventual divulgação indevida de dados sigilosos envolvendo adolescente investigado.


Outro desdobramento será a investigação sobre possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais, com apoio do CyberGAECO. Segundo o Ministério Público, o objetivo será apurar eventual uso do episódio para obtenção de engajamento e ganhos financeiros em plataformas digitais.



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