Violência contra jornalistas mulheres cresce no mundo
Relatório internacional aponta aumento de denúncias, autocensura e casos de abuso digital
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Relatório internacional aponta aumento de denúncias, autocensura e casos de abuso digital
O número de queixas à polícia por violência contra mulheres jornalistas dobrou desde 2020 em diferentes países. Os dados fazem parte do relatório “Ponto de Virada: Impactos, Manifestações e Reparação da Violência Online na Era da Inteligência Artificial”, encomendado pela ONU Mulheres e divulgado na vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
O estudo indica que, em 2025, 22% das mulheres jornalistas e profissionais da mídia procuraram a polícia para denunciar casos de violência online, o dobro em relação a 2020, quando o índice era de 11%. Além disso, quase 14% afirmaram ter adotado medidas legais contra agressores, cúmplices ou até empregadores, um aumento em relação aos 8% registrados anteriormente.
A pesquisa foi realizada em parceria com instituições como o Centro Internacional para Jornalistas e a Unesco, e analisa como a violência digital tem limitado a participação de mulheres na vida pública.
Entre os principais dados, o relatório aponta que quase metade das jornalistas, cerca de 45%, afirmou ter praticado autocensura nas redes sociais no último ano para evitar ataques. O número representa um aumento de 50% desde 2020. No ambiente profissional, aproximadamente 22% também relataram autocensura em suas atividades.
Os impactos na saúde mental também são significativos. Cerca de 24,7% das jornalistas disseram ter sido diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionadas à violência sofrida, enquanto quase 13% relataram transtorno de estresse pós-traumático.
O levantamento também revela a presença crescente de práticas abusivas no ambiente digital. Cerca de 12% das mulheres entrevistadas relataram o vazamento não autorizado de imagens pessoais, incluindo conteúdos íntimos, enquanto 6% afirmaram ter sido vítimas de deepfakes. Além disso, quase uma em cada três relatou ter recebido mensagens com conotação sexual sem consentimento.
Segundo o relatório, esse tipo de violência é frequentemente coordenado e direcionado, com o objetivo de silenciar mulheres que atuam na esfera pública, afetando diretamente sua credibilidade profissional e reputação.
Outro ponto destacado é a fragilidade das legislações em diferentes países. Dados citados pelo estudo indicam que menos de 40% das nações possuem leis específicas para proteger mulheres contra assédio ou perseguição online. Como consequência, cerca de 44% das mulheres e meninas no mundo, o equivalente a aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas, não contam com proteção legal adequada.
A chefe da seção de enfrentamento à violência contra as mulheres da ONU Mulheres, Kalliopi Mingeirou, avalia que o avanço da inteligência artificial tem ampliado o alcance e a gravidade dos abusos, exigindo respostas mais rápidas e eficazes por parte de governos, plataformas digitais e sistemas de justiça.
O relatório aponta que o cenário representa um desafio direto à liberdade de imprensa e à participação das mulheres no jornalismo, indicando a necessidade de medidas de proteção e responsabilização mais efetivas em escala global.
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