Cometa interestelar pode ser mais antigo que o Sol
Estudo com telescópio do ESO indica que o 3I/ATLAS teria se formado em torno de uma estrela antiga, oferecendo pistas sobre outros sistemas planetários
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Estudo com telescópio do ESO indica que o 3I/ATLAS teria se formado em torno de uma estrela antiga, oferecendo pistas sobre outros sistemas planetários
Astrônomos encontraram novas pistas sobre a origem do cometa interestelar 3I/ATLAS, o mais brilhante já observado desse tipo. Estudos realizados com o Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), indicam que o objeto pode ter se formado em uma região ao redor de uma estrela muito antiga, tornando-o possivelmente mais velho que o próprio Sol.
O 3I/ATLAS é apenas o terceiro cometa interestelar já identificado, depois de 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. Esses objetos são considerados verdadeiros “fósseis” de outros sistemas planetários, pois se formaram longe do Sistema Solar e carregam informações sobre ambientes espaciais diferentes do nosso.
A equipe de pesquisadores analisou a composição química do cometa por meio do instrumento UVES, instalado no VLT do ESO. Foram observadas assinaturas específicas de carbono e nitrogênio presentes no gás liberado pelo objeto, permitindo comparar suas características com as de cometas conhecidos do Sistema Solar.
Os resultados mostraram que o 3I/ATLAS apresenta proporções isotópicas de carbono e nitrogênio diferentes das encontradas nos cometas do nosso sistema. Essas características indicam que ele pode ter se formado nas regiões mais distantes de um disco de matéria ao redor de uma estrela antiga com baixa quantidade de elementos pesados, chamada de baixa metalicidade.
Segundo os pesquisadores, esse tipo de estrela teria se formado quando o Universo era mais jovem e possuía uma composição química diferente da atual. Por isso, o cometa pode ter origem em um sistema planetário que existia muito antes da formação do Sol, há cerca de 4,6 bilhões de anos.
Estudos recentes realizados por diferentes equipes, incluindo observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb, também apontam características semelhantes no 3I/ATLAS, reforçando a possibilidade de que o objeto tenha mais do que o dobro da idade do Sol.
Com o afastamento do cometa em relação ao Sol, as observações feitas pelo VLT estão chegando ao fim. No futuro, o Extremely Large Telescope (ELT), do ESO, poderá permitir análises ainda mais detalhadas de novos objetos interestelares, inclusive daqueles menos brilhantes.
Para os cientistas, cada novo visitante vindo de fora do Sistema Solar representa uma oportunidade única de estudar como outros sistemas planetários se formaram e evoluíram ao longo da história do Universo.
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