Demora no diagnóstico agrava esclerose múltipla
Pesquisa mostrou que confirmação leva em média de três anos
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Pesquisa mostrou que confirmação leva em média de três anos
Cerca de um em cada quatro pacientes com esclerose múltipla demora mais de cinco anos para receber o diagnóstico definitivo, segundo levantamento realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma e divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).
A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira, 28 de agosto, durante o Agosto Laranja, ouviu 368 pessoas em tratamento contra a doença no Brasil.
De acordo com os dados, 56,8% dos entrevistados receberam algum diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Já 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico e 14,1% levaram uma década ou mais entre o surgimento dos primeiros sintomas e a identificação da doença.
Segundo o neurologista Rodrigo Kleinpaul, a demora pode favorecer a progressão da doença e aumentar o risco de danos permanentes no cérebro e na medula.
Um dos fatores que dificultam o diagnóstico é a semelhança dos sintomas com outras condições. Alterações na visão, dormência, formigamento, dor e fadiga podem ser inicialmente associadas a outros problemas de saúde.
O levantamento apontou ainda que 36% dos pacientes consideram médicos e outros profissionais de saúde a principal barreira para chegar ao diagnóstico, enquanto 23% citaram dificuldades relacionadas a exames e investigações. Outros 18% apontaram a própria demora e 12% mencionaram os custos.
Doença afeta principalmente adultos jovens
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória, crônica e autoimune que afeta a mielina, estrutura responsável por proteger as fibras nervosas. Com isso, a comunicação entre o cérebro e o restante do organismo pode ser prejudicada.
Segundo a ABEM, cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, que atinge principalmente mulheres jovens, entre 20 e 40 anos.
Embora não tenha cura, os tratamentos disponíveis atualmente podem ajudar a controlar a evolução da doença. Segundo o levantamento, 48% dos pacientes entrevistados estão estáveis ou em remissão.
O estudo também mostrou os impactos da doença na rotina. Entre os entrevistados, 72,8% relataram prejuízos na renda ou nas oportunidades profissionais, enquanto 41,6% afirmaram evitar encontros sociais com frequência.
Os dados reforçam a importância do reconhecimento dos sintomas e da busca por avaliação médica especializada diante de sinais persistentes ou recorrentes.